O ativismo político midiático passou a ocupar lugar central nas lutas sociopolíticas da contemporaneidade. No entanto, parte significativa dessa atuação tem se desviado de seu propósito transformador para assumir a forma de uma guerra simbólica nas redes sociais. Em vez de ampliar o diálogo democrático, muitos militantes digitais passaram a demonizar quem pensa diferente, substituindo o debate racional por ataques, rótulos e julgamentos apressados, quase sempre guiados por certezas absolutas fabricadas por bolhas ideológicas.
Essa militância, mais performática do que reflexiva, engaja-se com fervor nas disputas de narrativas como se estivesse em permanente estado de combate. Ao reduzir análises políticas complexas a um único critério moral ou ideológico, termina por empobrecer o debate público e, paradoxalmente, fragilizar as próprias causas que afirma defender.
Para que seja verdadeiramente transformadora, a militância política — inclusive a digital — precisa comprometer-se com ações concretas e responsáveis, capazes de produzir mudanças reais. Não pode se limitar ao exibicionismo retórico nem contribuir, de forma inconsequente, para a radicalização do discurso e o aprofundamento das divisões sociais. Discordância não é sinônimo de inimigo, e tratar o dissenso como ameaça é um dos sinais mais evidentes da intolerância política.
Militância é, antes de tudo, engajamento consciente em causas que visam transformações sociais, políticas e culturais. O ativismo digital, contudo, tem escorregado com frequência para a superficialidade, funcionando como um terreno fértil para a disseminação de desinformação e fake news. Ignora-se a complexidade dos temas em disputa e adota-se a lógica da competição por curtidas, compartilhamentos e visibilidade, o que acaba por deslegitimar o próprio ativismo.
Diante da velocidade vertiginosa com que as informações circulam nas redes, torna-se imperativo que a militância política digital assuma sua responsabilidade ética na comunicação de fatos verificáveis e na construção de discursos que informem, em vez de manipular. As fake news, ao distorcerem a realidade, corroem a confiança social e representam uma ameaça concreta à democracia.
As redes sociais, por serem plataformas de acesso aberto, permitem a multiplicação de discursos e o uso sistemático de mecanismos de disparo de conteúdo, transformando militantes em produtores e influenciadores de opinião. Essa potência comunicacional pode ser um instrumento de cidadania e fortalecimento democrático, desde que não reproduza as mesmas práticas autoritárias que critica. A militância política digital deve ocupar esse espaço para romper o monopólio da grande mídia sobre determinados temas, mas sem abdicar do compromisso com a verdade, o diálogo e a responsabilidade pública.