Em primeiro lugar, uma observação básica, original e histórica: o projeto Folia de Rua nasceu nos anos 80 e chegou até aqui com a gênese de uma ação popular organizada para oferecer opção carnavalesca à cidade de João Pessoa, portanto, esta essência política pública precisa ser preservada convivendo com novos cenários, inclusive mercantis.
A propósito, uma pergunta básica: a Associação Folia de Rua dispõe a dados de agora dos apoios e autossustentação à altura de seu histórico ou não? Em caso negativo, o que impede a direção do projeto de arcar com as condições básicas?
Ora, se entre os apoios concretizados – a exemplo da PMJP, do Governo do Estado (eles de fato existem?) e do senador Veneziano Vital consolidando emenda de R$ 600 mil para todo o Folia de Rua, mais R$ 600 mil ao Muriçocas do Miramar no particular, quem está ou não criando dificuldades para o Folia de Rua se autossustentar?

HISTÓRIA E DIFERENÇAS
O fato é que nos últimos anos a criação do projeto Via Folia interferiu pra valer na organização de todo o projeto Folia de Rua porque a lógica comercial exclusiva permitindo que blocos com Cordão intervenham na base da Avenida Epitácio Pessoa empobreceu a parte popular e desprovida de lucratividade, logo perdendo espaços. Sequer espaços aos blocos fundadores são oferecidos nos camarotes da avenida sem acesso equitativo do Folia!.
Se isto é verdade, se faz urgente para os próximos festejos uma repactuação negociada porque o projeto Folia de Rua foi retirado do espaço público que lhe é de direito fundado pela associação . Além do mais, há informações de que o interesse privado tem tido apoio de organismos públicos mais do que o original Folia de Rua. E isso pode?
Em síntese, essa desigualdade precisa ter novo tratamento para honrar a história de quem tem o comando da Logo e legitimidade de ocupação de espaços públicos deste importante projeto.
Ainda voltaremos ao tema.

ESPAÇOS ABERTOS
Em qualquer lugar sempre é bem recebido abrigar iniciativas privadas para garantir autossustentação de eventos com natureza de abrigo de grande público.
Em 1992, criamos em assembleia na Associação Paraibana de Imprensa a denominada e resistente Associação Folia de Rua.
Nesta reunião 4 blocos deixaram a entidade por defender o modelo baiano e saída na orla marítima.
A essência defendendo a saída no Centro Histórico se devia ao entendimento de que era preciso assegurar acesso popular a todos em detrimento do cordão de isolamento.
25 anos depois eis que o modelo baiano se impõe sufocando o modelo original da Folia.
O fato é que uma coisa, a nova Via Folia, não pode implodir o outro original projeto Folia de Rua. Eis o resumo da ópera. É preciso juízo e capacidade de adequações legítimas.

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“A grana que ergue/ e destrói coisas Belas”
