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As mulheres resolvem cruzar os braços e fazer greve geral. Fico pensando o que fazer? A True Companion, uma empresa de inteligência artificial que opera no mercado americano desde 2010, promete entregar exemplares artificiais de robôs que são capazes de prestar serviços rotineiros e domésticos, fazer sexo, responder carícias e, melhor, nunca estão aborrecidos nem trairão seus donos, ou trarão doenças aos parceiros. A promessa é como que, uma vez o consumidor dispondo media de $7.000, possa adquirir escravos tecnológicos acompanhados de amor incondicional.
Continuamos preocupados… A True Companion diz ter já espalhados pelo mundo mais de 8000 de seus produtos, formando um exército de escravos baby doll à serviço, na maioria, de homens. Mulheres também estão aderindo a pares artificiais. Amam seus bonecos, ou boys, como capazes de amar a um animal doméstico, o gatinho, o cachorro que cuidam substituindo afetos.
Acordo cedo, no Dia Internacional das Mulheres, 08.03, e lá está na telinha do smarth a pergunta de uma amiga psicóloga para uma pesquisa: – O que acha de um mundo sem homens? Paro um pouco, tomo café, reflito. Penso na minha mãe, minhas filhas, ex-namoradas, professoras, amigas. Penso como seria um mundo sem mulheres. Penso na importância da barriga de Mariinha para abrigar o feto `eu´, que nascia há 57 anos. Imagino que hoje seria dispensável, trocando por uma barriga de aluguel, ou mesmo órgãos artificiais de gestar em laboratório. Como também se poderiam personalizar sequenciais bonecos de Gil Sabino á beira da perfeição. Ora, ora!
Lembro Maria do Rosário, uma namorada de Olinda nos anos 80, quando escrevia algumas ideias futuristas de falando de um mundo virtual, digital, etc., e ela ria achando que eu estava delirando. E me arrastava sempre pra cair na real…
Chego até à empresa e lanço a pergunta aos meus amigos. Todos, indiscutivelmente sorriem. Sei o significado da solidão, da saudade, da depressão, da angústia, como também da alegria, da felicidade, dos prazeres passageiros e terrenos, dos sonhos. Sei o valor da companhia amiga feminina, masculina, como queira, pais, filhos, amigos e parentes exercendo cada qual seu papel associando ao outro nas missões que lhes cabem aqui na experiência terrena.
Acreditamos que mesmo em face dos avanços mecânicos e tecnológicos, tendo em vista um dia termos partido da experiência hermafrodita (de auto reprodução), para a evolução de divisão dos gametas em X e Y, definindo o macho e a fêmea, possibilitando aperfeiçoar o poder de reprodução, os sentidos de visão, audição, olfato, paladar, expressar através de fala, cantar, sentir calor, frio, etc., e até desenvolver cérebros, dentro de caixas cranianas, com mecanismos de sistema neural com raciocínio e respostas organizadas, criativas e inteligentes; e dispor já de opções de modelos LGBT, W, Y, Z, Etc.; Acreditamos que resta o equilíbrio com serenidade para as relações, a fim de encontrar saídas para um mundo verdadeiramente melhor.
Que em bilhões de anos do trabalho divino de aperfeiçoar, embora com a tecnologia e os avanços da ciência permitindo desde a nanotecnologia, a comunicação à distância, as viagens espaciais a outros planetas, o mundo precise ainda sair do estresse para refletir nos indicativos morais de Jesus, um que aqui passou falando sobre perdão, entrega e serviço de solidariedade ao próximo, amor, e tudo o mais para saltar do degrau da ignorância que ainda degola, corrompe, estupra, mata.
Acreditamos que o homem e a mulher precisam ainda rever valores morais, para enfim, dentro de suas missões terrenas, corresponder com responsabilidade e avançar, evoluir e atingir uma vibração maior, partir para novas esferas, novos planetas, onde talvez nem precise do adereço do corpo humano de órgãos utilitários passageiros para viver. Um mundo onde pessoas se amem sem rótulos, sem indiferença, sem guerras, sem competição; mas, sim com conexão. Um mundo onde possamos nos respeitar, saindo do embaraço atávico do homem primata, para o homem do futuro. Onde realmente não precisemos mais de divisões de mulher ou homem, ou seja, lá que modelo for para evoluir…
Enquanto isso, enquanto a sociedade despersonalizada brinca de fazer sexo virtual, ou com robôs, e Douglas Hines fabrica seus bonecos em séries, Joe toca Anita, diz algumas palavras-chave lidas de um cartão e pergunta: “O que acontece agora?” E ela, que é um robô com feições humanas, responde: “O que você quiser”. E eles fazem sexo.
Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing – g.sabino@uol.com.br
Escrito por: Gil Sabino