Vai longe o tempo em que a simples foto preta e branca, colada na parede da casa do eleitor, simbolizava simpatia e voto da família a um candidato. Nada mais bastava para conquistar e fidelizar o voto do eleitor que a simples força moral, a amizade, filosofias e ideologias partidárias, etc.
Os métodos, dos chamados currais eleitorais vem de longa data; dos feudos europeus dos séculos que vão de V á XV, da Idade Média. No Brasil, os senhores de engenho que afirmavam que o voto não se vendia, embora por outro lado dizendo também que não se discutia, era dada continuidade da predominância, dos proprietários de terras sobre seus vassalos, os servos que viviam na comunidade. Desta forma, o que o patrão mandava, os peões baixavam a cabeça e obedeciam. Há até a lenda de que no dia das eleições o senhor de engenho coletava todos os títulos dos seus empregados e diziam que pra votar eles não precisavam apresenta-los, porque não sabiam ler, bastando melar o dedo e pressionar a digital, concordando com os mandos dos coronéis. Assim manteriam o emprego…
Os tempos avançaram, mudaram os métodos, veio a democracia, os direitos humanos, rediscutiram os direitos dos cidadãos, das mulheres, dos negros, dos segmentos diversos da sexualidade, das religiões, e veio a tecnologia e os currais eleitorais inovaram. A boiada hoje se veste de cores, como dizem, cordões azul e encarnado, e portam bandeiras. São verdadeiros exércitos privados de campanhas nas ruas. Parece como que, o cidadão, mesmo denominado livre para suas escolhas, não tivesse, como mesmo não tem, opção de escolha, e nesse caso ficam encurralados. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
O TSE, juntamente com os TREs, tribunais regionais eleitorais que regulamentam as eleições bem que tentam controlar a situação. Porém, o que continua no comando é mesmo o capital estrangeiro. O poder sobre a mídia, sobre as massas, sobre os políticos, sobre o senado e câmaras. Há um grande leilão, uma grande pressão. Assim um grande abismo ideológico que traduza a vontade do povo para o povo, e apresente candidatos de possível representação junto ao legislativo, ao executivo, e até o judiciário.
Dispomos de sistemas complexos de representação, obsoletos, ao mesmo tempo corruptos, confusos, cenários onde versam o xingamento barato, acusações de todo tipo, calúnias, baixa vibração, influenciando negativo nas comunidades. Embora assim, como agora no país, são feitas coligações ordinárias entre gestões dos que desejam ser reeleitos e golpistas, traidores da democracia. São realizadas, na calada da noite e até expostas á luz do dia, coligações por mero interesse de ganhar eleições e se perpetuarem no poder usufruindo dos direitos do povo, do dinheiro, enfim…
Uma máquina funciona por trás dessa manipulação, chamada de marketing político. Que negocia e cuida da imagem dos candidatos. Desde a prática de tirar fotos destes ao lado de crianças, pobres, humildes, como se fossem realmente gente do povo, mas que logo após as eleições somem, desaparecem das comunidades e até de seus gabinetes. O marketing pessoal, o networking, a rede de relacionamentos, de influências, e agora contando com as ferramentas de redes sociais e internet.
A comunicação se beneficia de várias vias, das ferramentas atuais de poder para conquistar o voto do eleitor. Estes, por sua vez andam desconfiados de quem os representam, políticos sem menor preparo moral, sem ficha limpa, sem capacidade cultural e até intelectual para administrar as cidades, estados, país. E tudo cria um grande abismo entre a verdadeira necessidade do homem e sua realidade. Por isso o atraso ainda do nosso tempo, da nossa sociedade. Dizem os mais sábios que isso é a política. A quem esta política serve estamos ainda esperando para ver. Faltam projetos que retornem atendendo nossas necessidades. Volto a dizer, estamos diante de um grande marketing político e seus abismos.
Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing. g.sabino@uol.com.br
Escrito por: Gil Sabino

