SÃO JOÃO COTROVERSO

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  Enquanto as grandes nações discutem a manchete desta sexta-feira 24.06, com a saída do Reino Unido da União Europeia tendo que reajustar as regras para o comércio mundial, com as bolsas desabando e outras em alta, e adaptar ao novo jogo e controle políticos; aqui no Brasil, especialmente no nosso Nordeste, sobrevivemos à crise econômica com afetação ao nosso poder, diga-se Governo com ameaça de impeachment, golpes e subtrações inimagináveis, e uma campanha eleitoral próxima para escolha de prefeitos e vereadores, ao mesmo tempo em que dançamos forró no evento de São João.

Ainda, na semana, ocorreu a polêmica (moído, mesmo!) em torno da contratação do artista Wesley Safadão, uma espécie de novo rei do forró de plástico, e seus super contratos com variação média de 200 a 500 mil reais, para ilustrar os festejos de Campina Grande, PB., e Caruaru, PE. Além do que o noticiário não descansou um sequer minuto com relação aos destaques da operação judicial Lava-Jato envolvendo figurões do governo, empresas privadas e outros.

Minha filha Julinha, 6, entra no carro e pergunta: – Pai, porque no mundo tem tanta gente corrupta, tanto ladrão, tanto drogado? Freei num farol e tive que buscar uma boa resposta para tal desapontamento, para uma criança que mal chega ao cenário da vida terrena e quer saber por que tanta controvérsia. Obviamente ela está entre os milhões de telespectadores que são diariamente sacudidos com horas noticias depreciativas da sociedade atual.

Não sei, diante do silêncio, se ela compreendeu quando eu disse que para o mundo ficar melhor o mal ainda tem que se acabar, e que para acabar, a gente deve trabalhar no bem, aumentar o bem, até que o mal não exista mais. Que, por enquanto temos ainda corruptos ao redor, enfim… E saímos a passear numa metrópole Recife esvaziada; com shoppings entregues as moscas e ruas paradas. Até mesmo o Marco Zero, local de grandes eventos estava morto.

As estradas engarrafaram seus trânsitos em direção ao interior. Tanto na Paraíba como Pernambuco, onde conferimos pessoalmente, havia ali um fluxo de milhares de carros saindo dos grandes centros, o que nos levou a entender que há demanda para realizar grandes eventos no feriado de São João. Como testemunhamos nos shows de Nando Cordel e Santanna O Cantador, no Sítio da Trindade, superlotado. Por outro lado, com rara exceção, a má qualidade das programações não justifica a crise econômica em foco.

Ainda por outro prisma, estivemos pensando, em tempos modernos, padres são contratados para cantar nos festejos juninos, como que grandes mitos com capacidade de arrastar públicos recordes, e isso tem nada a ver com forró, a música tradicional das festas de junho, festa do milho. Também artistas do elenco de axés, sertanejos e outros, contracenando com a miséria de cachês propostos aos talentos regionais.

Foi através de grupos no Whatsapp, de mídias sociais, que também circulou uma mensagem de voz do cantor pernambucano André Rio, denunciando a corrupção dos gestores do Governo na hora de contratar; dizendo que são listados apenas aqueles que concordam dividir cachê deixando metade nas mãos sujas dos contratantes… Isso não é novidade, nem é de hoje.

Entre um e outro café com amigos, buscamos ampliar a discussão em torno das possibilidades de movimentar enriquecendo o mercado artístico cultural, com uma visão de reconhecimento, característica e performance de valor. Uma reciclagem inovando, com atrativo turístico de porte, reverenciando nossa cultura, dando vida, motivando os diversos setores da sociedade com projetos e planejamento comprometidos para com a comunidade.

Mais uma vez, como temos conversado com gestores e pre candidatos a prefeituras, sem esquecer a parceria de grandes instituições e empresas privadas, relatando o PIB que vem através dos grandes eventos artísticos culturais, que no mundo significa ficar atrás apenas da indústria automobilística, e muito outros assuntos pertinentes e que por hora parecem esquecidos. Entre um e outro forró do velho Trio Nordestino, Cezzinha, Luiz Gonzaga, Antônio Barros e Ceceu, Onildo Almeida, Dominguinhos e outros… Por uma cultura alinhada aos atrativos turísticos e outros, e outros…

Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing. g.sabino@uol.com.br
 

Escrito por: Gil Sabino

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