Representantes da UFPB e dos alunos em greve por melhorias na assistência estudantil celebraram acordo nesta quinta-feira, 3, conduzido pelo Ministério Público Federal e Defensoria Pública, em que responsabilidades distintas foram assumidas para por fim à ocupação do prédio da Reitoria registrada desde a última segunda-feira.
Foi preciso uma exaustiva negociação que varou a madrugada, portanto, só terminando logo cedo da manhã desta quinta-feira chuvosa em João Pessoa. A extensa pauta dos estudantes mereceu exame minucioso,visando assim a consolidação de um Pacto entre às partes.
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UMA QUESTÃO DE CONCEITO DE LUTA
Ninguém de bom senso pode ignorar e/ou subestimar a necessidade de ouvir e buscar resolver os dramas sempre dificeis do segmento discente das Universidades, em especial da UFPB, porque são a parte alvo mais importante da labuta universitária sempre enfrentando dificuldades históricas ao longo do tempo, por isso havia (e há) um sentimento de solidariedade com os Grevistas, especialmente os do sacrifício da fome.
Não há, dentro e fora da UFPB, quem de boa fé e bom senso não comungasse com a indispensável solidariedade politica e humana aos estudantes, mesmo com possível interesse político ao redor da justa causa estudantil.
A CAUSA E O DESENROLAR DO ENREDO
Desde quando quatro estudantes de força conceitual distinta resolveram fazer Greve de Fome, que já ali acentuava uma séria situação a merecer corrida no tempo porque a advertência posta visava resolver o mais rápido possível demandas urgentes dos universitários que não podiam esperar pela burocracia.
Havia pressa e o tratamento dispensado pela PRAPE – pró-reitoria especifica no trato com estudantes – até funcionou, mas precisou seguir os trâmites cansativos da Burocracia para consolidar a lista dos contemplados com a Assistência Estudantil regular, conforme dita as normas. A demora, contudo, aguçou a ira estudantil.
Quando a PRAPE encaminhou com detalhes respostas às 23 reivindicações dos Grevistas, o clima já era fomentado por crise política passando então a exigir que a própria Reitora Margareth Diniz conduzisse pessoalmente as negociações dos estudantes.
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A HORA H DA CRISE
Na prática, como provam vídeos à disposição, as negociações desta quarta-feira na verdade começaram a ser construídas na segunda-feira passada com a presença da Reitora Margareth Diniz ao lado da Rampa onde se fixaram os grevistas tendo a mediação do Ministério Público Federal e Defensoria Pública.
Os vídeos mostram além da mediação o acordo nesse dia da reitora e dos representantes estudantis para uma reunião na quarta, ontem, conforme ficou determinado.
Só que, acordo firmado, ao se levantar e se dirigir ao seu gabinete a Reitora começou a ser cercada e chamada de “Fujona” motivando em outros estudantes, não os Grevistas de Fome, palavras de ordem gerando tumulto resultando na invasão do gabinete da Reitora com todas as cenas conhecidas.
Na prática, se havia existido o compromisso da reunião na quarta-feira, logo estava selado o novo momento sem necessidade de partir para confronto com funcionários e pro-reitores da UFPB.
Esta parte anterior de invasão, exclusivamente, como estava projetado e se registrou de ontem para hoje poderia ser evitada na segunda-feira, mas deu no que deu.
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TEMPERO DA SUCESSÃO
Trocando em miúdos, a vitoriosa, indispensável e soberana luta dos estudantes universitários terminou servindo de motivação política paralela para que outros valores da vida de lutas da Universidade passassem a se incorporar gradativamente ao Movimento dos grevistas.
Sem que houvesse um só discurso, na prática a Sucessão passou a existir como tempero silencioso permanente a nutrir a crise, como que se fosse bandeira de luta numa disputa sucessória onde as questões de fundo são outras.
Em sintese, a UFPB foi palco mais uma vez de uma demonstração de força dos estudantes, que saem do processo com moral politica elevada, entretanto, abstraindo a disputa eleitoral para Reitor, a professora Margareth Diniz não se recusou ao diálogo, como tanto foi explorado por interesses politicos compreensíveis.
Isto pode ser entendido também ao ir ao encontro dos estudantes e por ela não ter acionado o Aparato Policial que dispunha para desocupar a Reitoria. E esta é uma condição e fato inquestionáveis.
Ao final, o que importa é exaltar a força e resultado da luta dos estudantes, sempre indispensáveis, diante do acordo celebrado com anuência da Reitoria .
Agora, é partir para a disputa com cada um mostrando o que tem de valor. Ou não.
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ANTES QUE ESQUEÇA
Governo é pra sofrer, como dizia Mocidade, mas indiscutivelmente o processo registrado na UFPB não é diferente do que tem ocorrido na maioria das Universidades Federais depois que o Governo Federal ampliou excessivamente os espaços e cursos sem levar na mesma proporção as condições estruturais, depois do advento do ENEM, SISU, etc.
Ora, se ampliou efetivamente em muito a demanda estudantil, com ela tem de haver as mesmas bases de sustentação nos RUs, Casas estudantis, Assistencia Estudantil e isto não se efetivou.
Esta, na prática, é uma luta nacional.
ÚLTIMA
“Vamos precisar de todo mundo/
pra banir do mundo a opressão..”