ESCREVE AI LUAN SANTANA

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De acordo com a Crowley Broadcast Analysis Brasil, isso mesmo, a empresa que monitora a execução das músicas mais tocadas nas principais rádios do país; dos 100 títulos mais tocados em 2015, 74 foram do ritmo dito sertanejo, que pejorativamente alguns insistem notificar por sertanojo, e que na verdade são na maioria canções românticas de apelo banal.

Das mais tocadas de 2015, a campeã Escreve Aí, interpretada por Luan Santana, dele em parceria com Bruno Caliman, Dudu Borges & Douglas Cezar, teria tocado 68.267 vezes, que significa média de uma vez a cada 7 minutos ou, enfileirada, somaria 199 dias seguidos solapando as ouças da juventude brasileira que, histérica, consome esse tal ritmo roubado do cancioneiro brasileiro, e que tem entre seus superstars nomes conhecidos como Zezé de Camargo e Luciano, Victor e Leo, Henrique e Diego, Bruno e Marrone, Paula Fernanda, Eduardo Costa, Michel Teló e outros.

Se aprofundarmos a análise, um detalhe: estes números contam apenas as tocatas do horário comercial nas principais capitais. Deixando fora cidades com menos de 500 mil habitantes e fora do eixo urbano principal. Também sem contar bares, restaurantes, casas de shows, radiolas de fichas, players individuais, internet, cópias piratas, as milhares de emissoras de rádio e comunitárias das cidades de interior pelo Brasil a fora, e por aí segue…

Luan Santana é um garotão de 25 anos, com apenas cinco de carreira artística profissional e milionária, que lembra o biótipo do rei do rock Elvis Presley, americano nascido em 1935, que fez muito sucesso e dominou as paradas do mundo entre os anos 40, 50 a 70, e morreu vitimado por depressão e o abuso do uso de drogas. Com uma grande semelhança no tocante a ser um artista carismático, Santana difere de Elvis, pois quase não dança, e quando canta carrega em alguns tics como apertar insistentemente os aparelhos de headphones em suas orelhas e segurar o microfone empunhando de maneira exagerada, como se o fosse comer. Além de um jeito desengonçado, enfim, nada importa… É ele, o cara do momento.

Frequentador dos mais importantes programas da televisão brasileira como Faustão e Especial de fim de ano do Rei Roberto Carlos, e dono dos maiores prêmios e troféus, Luan Santana surgiu na era da música digital, utilizando-se das vias contemporâneas como ferramenta para o sucesso. Quase de repente, do nada, ele grava músicas e vídeos, posta na internet, destaca, aparece e ganha as paradas, logo migrando para o pop star brasileiro e passando a ser atração em tudo que é lugar. Luan Santana faz um gênero comportado, doce, meigo. Pronto para provocar o sex apeal da garotada, vender produtos teen e marcar uma geração. Do tipo que adolescentes adoram imitar, cortejar, como foram Sandy & Junior, os Menudos, Dominó, e outros ídolos.

O lamentável disso tudo é a descaracterização da cultura brasileira quando até o Minc – Ministério da Cultura, chega a contemplar projetos da ordem de 4 milhões em favor da obra de um artista que em nada enobrece a arte popular. Luan Santana é indiscutivelmente uma realidade produzida de mercado. Escreve ai, é vírus, e pode ser passageiro, basta estalar os dedos…


Gil Sabino é jornalista, gestor de marketing e Diretor de Cultura da API.
g.sabino@uolcom.br .
 

Escrito por: Gil Sabino

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