Depois de quatro anos de baixo crescimento, a economia brasileira chegou a 2015 com sérias dificuldades fiscais e monetárias. Nada, porém, que não seja resolvido com as boas práticas econômicas. O entrave maior é a insensatez que tomou conta da gestão macroeconômica do país. A política brasileira tornou-se uma fonte prolífera de caminhos para o caos socioeconômico.
As grandes questões a resolver em 2015, herdadas dos explosivos descontroles de 2014, eram os deficit público de 6,3% do PIB e inflação de 6,5%. As ações corretivas, tecnicamente, seriam triviais: cortar despesas e/ou elevar receitas públicas e corrigir os preços administrados pelo governo para sancionar a verdadeira inflação a combater. Em condições normais isso seria tarefa para um ano.
O congresso nacional tem sido negligente com as necessidades do equilíbrio fiscal. O pior é que isso decorre do fato de essa casa legislativa estar dando grande atenção à defesa dos interesses político-partidários dos que lá estão. Essa baixa política se fez um fim em se mesma e tem prejudicado os verdadeiros interesses do país.
O Legislativo assumiu o processo de contestação da eleição da presidente Dilma. Daí a sua árdua tarefa de encontrar os meios decentes, legais e moralmente idôneos para o impeachment da presidente, até porque não vale fabricá-los! Será que vamos levar dois anos nessa lenga-lenga? Quem mais sofre com isso é a economia do país, cada vez mais frágil, pelo não enfrentamento de seus problemas.
Até este mês de outubro, o ajuste só foi feito pelo lado dos cortes de gastos e investimentos públicos. Não houve alento pelo lado do aumento das receitas, com aprovação pendente no congresso nacional, onde anda a passos de tartaruga. Ajustes fiscais incompletos só servem para aprofundar os problemas que deveriam resolver.
Desse modo, os pesados efeitos recessivos e outros dos ajustes desajustaram gravemente as finanças públicas, com déficit de 9% do PIB, e elevaram a inflação, para 9,5%, e a taxa de juros para 14,25%. Diante desse quadro, fruto da irresponsabilidade política, os mercados e agentes econômicos estão atônitos com tantas incertezas e perspectivas adversas. Os trabalhadores e pessoas mais pobres estão pagando o pato.
Não adianta chorar o leite derramado. A situação fiscal tornou-se muito grave, urge que o governo e o congresso nacional criem as condições de solução. Sem isso, não se pode ter uma inflação em torno de 5% e a volta do crescimento econômico. Essa é a discussão que faz sentido, e não a de saber se a presidente errou quando mentiu na campanha eleitoral ou agora por adotar a política econômica que tanto combateu.
O Brasil continua sendo altamente viável economicamente, mas sofre com as amarras da indigência de sua miséria política. Afinal, nos últimos 78 anos 29 foram de regimes ditatoriais e 4 de governos provisórios. A nossa democracia sempre tem muita dificuldade para resolver impasses políticos relevantes; o que é um contrassenso, mas é isso que se vê, com muita clareza, atualmente.