BONS VENTOS SOPRANDO A CULTURA

                      O show Estado de Poesia, do artista paraibano Chico César, sábado 17.10, no teatro Paulo Pontes, da Funesc, Espaço Cultural de João Pessoa, PB, além de belo lotou, e marcou como importante traço nos negócios culturais. Estado de Poesia tem assinatura de patrocínio do programa da Natura Musical, que investe no relacionamento com públicos diversos ligados a cultura, artistas consagrados como Maria Bethânia, Elza Soares, Gal Costa, e também os novos como Zé Manoel, B Negão e Seletores de Frequência, Chicocorrea e Eletronic Band, Fernanda Takai e outros. Só pra ter ideia, até nos banheiros do teatro havia amostras de novos produtos de higiene daquela marca, e durante o show promotoras faziam merchandising distribuindo sachês. Também citações de agradecimento por parte do artista.

Lau Siqueira, poeta e também atual Secretário de Cultura da Paraíba, já havia falado sobre a movimentação da cena cultural por todos os lados. Como Lau Siqueira, frequentamos também bastante o ambiente cultural da cidade e outros e temos observado as novas tribos, os novos agrupamentos de artistas, independente do apoio da grande mídia, que vem conseguindo organizar e realizar produções de importante valor entregando para o grande público de forma muito bacana.

As redes sociais, os diversos espaços que distribuídos ofertam opção vária para o grande público, e uma grande estratégia alternativa vem contribuindo para que tudo isso aconteça. Mas, perguntamo-nos porque e como isso vem ocorrendo? O que move a tudo isso? A resposta é simples de ver: Temos uma nova geração ávida de consumo do produto cultural e isso gera demandas. Temos uma nova geração de artistas produzindo como nunca antes. Os veículos deixaram de ser apenas jornais impressos, rádio e Tv, para ampliar através da internet, mídias externas, e o boca-a-boca que tem forte apelo e poder de relacionamento.

Somado a isto, as grandes marcas de produtos alimentícios, beleza, telefonia e outros, vislumbrando possibilidades de alinhar seu marketing com a preferência da nova juventude consumidora. Mas o que ainda falta? Lógico, uma melhor preparação tecnológica para destravar o que atualmente chamamos de Economia Criativa. Essa economia que vem de diversos cantos, setores, e formas. Uma como que urgente necessidade de organizar para ir adiante. A descentralização da cultura, que antes cabia apenas em poucas salas, começa novamente a ganhar praças, ginásios, teatros, escolas, etc.

Capacitação de pessoas para produção de projetos culturais, produção de eventos, execução, realização, gestão. Nesse momento, entendemos que ao Estado e as prefeituras cabe o papel de apoio, de organizar, administrar, e não meter o dedo ou se achar capaz para fazer, realizar. Melhor seria que os gestores compreendessem que a saída é apoiar, convidar voluntários, fazer parcerias público privadas, garantir e buscar recursos aqui, ali, alhures, para fomentar todo o processo criativo cultural e tornar a isto uma economia de porte maior.

Enquanto ainda permanecer a ideia de gestões paternais e artistas que esperam tudo do governo, sem uma contrapartida, estaremos marcando passo em um mesmo lugar comum. Tem de haver o diferencial, buscar as novas formas de administrar e desenvolver. Viva o Varadouro Cultural, salve a Energisa, aplauso para a Funesc, olhos atentos para a produção da Parahybólica, e vamos ao CAMPUS Festival… É isso. Voltaremos ao assunto.

Gil Sabino é jornalista, gestor de marketing e Diretor de Cultura da API.
g.sabino@uol.com.br

Escrito por: Gil Sabino

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