COMO DIRIGIR CULTURA

{arquivo}{arquivo}                 Sou paraibano. Há trinta e três anos deixei João Pessoa e fui representar a gravadora EMI Odeon, em Recife, PE, onde permaneci a maior parte de minha vida. Dei algumas voltas pelo mundo, fiz um pit stop em São Paulo, e retornei para o Nordeste. Aqui vislumbramos possibilidades dentro de um universo cada vez maior e possível, e também com qualidade de vida. E temos confirmado estas enormes janelas de futuro.                                     
Compomos hoje com posse nesta sexta-feira 11 de setembro, a chapa (única) eleita da API – Associação Paraibana de Imprensa, da qual participamos desde a gestão de Carlos Aranha. Sem dúvida nos honra a proposta para o cargo de diretor de cultura, que envidarei esforços para corresponder. Uma coisa, muito nos tem intrigado: Como dirigir cultura? Coloca a cultura dentro de uma caixa, de uma gaveta, dentro de um carro, um avião e sai pilotando, como se dá essa coisa? Alguém aí sabe alguma dica de como se realiza essa gestão?                                                       
Confesso que já passei horas buscando respostas para um turbilhão de ideias e questões e até agora obtive apenas algumas janelas como possibilidades de ver através, o mundo lá fora. E não conseguimos prender/aprender uma forma exata de dirigir cultura. Não há um modelo específico. Além do que não temos apreciado muitas gestões que buscam propor formas e que na maioria não obtiveram sucesso. Quando muito, realizaram alguns bons eventos, prestigiaram uns aqui e outros acolá.                                                                                                                                                       
A nossa é uma visão de que cultura não deve ser algo burocrático; nem religioso, com dogmas e medos e divisões de bem e mal; uma coisa limitada, pragmática, sistemática, conservadora. Que não se pode dirigir cultura. No máximo des-organizar. Buscar formas de facilitar, de promover acesso à cultura como necessidade humana, como economia de vida. Descobrir novos conceitos e modo de relacionamento entre as sociedades através das artes, dar suporte, sustentabilidade, etc.                                                                                                                                                                    
Como também não imaginamos poder pensar uma cultura global, distanciando da cultura regional e apenas com determinados padrões tecnológicos, para poucos que sabem ler, escrever, cantar; como foram alguns desses tantos processos desenvolvidos até então, e suas diversas formas de expressar dentro da prática humana. Ou para quem tem dinheiro, é rico. E lembramos Paulo Freire, o educador, quando revela que o ser humano, mesmo analfabeto, produz cultura. E também Jomar Muniz de Brito, o professor, escritor, cineasta, tropicalista, seguidor de Paulo Freire, quando diz que “a revolução da educação hoje é a internet, a atualização das coisas.” E Jomar vai ainda mais além quando reclama abrir as portas da divulgação, e diz que a cultura hoje tem que pensar no marketing. Sem o marketing não existe.                                                                                                                                                                                          
Então, temos ai um plural de coisas a serem discutidas. Projetos a serem desenvolvidos e realizados. Nada importa a estética, a ideologia, que venham novos conceitos. Devemos estar atentos a tudo, e os impulsos vários, classificados e ao mesmo tempo diferenciados, aqui, ali, acolá.                                                                                                        
Não imaginamos uma cultura fixa, pastel, engessada; mas uma coisa que exige o tempo todo movimento, mudança, reavaliação, cooperativismo de consumo, o novo, uma autoridade distribuída, autogoverno, emancipação. Cultura não como cargo institucional, mas como possibilidade produtora, que dê significado para a cultura, a ação de consumo da arte, o benefício. Uma cultura mutante, que está sempre em movimento, que avança. Estrutural mas nunca fixa.                                                                                                                                                                                                              
É com esta disposição que estamos convidando artistas de todas as áreas para incorporar um projeto possível, para dialogar. Para daí extrair nosso melhor e distribuir, promover, tocar pra cima, pra frente, dar direção…                       {arquivo}

Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing.
g.sabino@uol.com.br

Escrito por: Gil Sabino

Mais Posts

Tem certeza de que deseja desbloquear esta publicação?
Desbloquear esquerda : 0
Tem certeza de que deseja cancelar a assinatura?
Controle sua privacidade
Nosso site utiliza cookies para melhorar a navegação. Política de PrivacidadeTermos de Uso