Golpismo não é a solução

O lero-lero do impeachment em causa própria continua. O discurso vazio é repetido à exaustão: “A presidente Dilma Rousseff perdeu a legitimidade”… “A sua campanha recebeu recursos desviados da Petrobras”…“A ilegalidade do seu mandato vai ser declarada pelos TCU e TSE”… “Houve estelionato eleitoral, … o governo é incompetente, … a sua rejeição é a mais alta da história”. Nada disso, no que é devido, foi civilizadamente comprovado ou julgado.

As oposições querem, a qualquer custo, o governo que não conquistaram nas urnas. A insensatez é tão grande que, quando lhes acende uma fagulha de razão, e veem a impossibilidade do impeachment, intimam a presidente à renúncia. Não pode haver algo mais autoritário: renúncia contra a vontade!?. A quem se deve esse stalinismo tupiniquim de direita?

Se não há motivos para o impeachment da presidente, que nome se dar à sua renúncia forçada? É golpe, sim senhor! Ocorre que no Brasil, historicamente, golpe puramente civil nunca houve e, provavelmente, nunca haverá. Então, expliquem senhores políticos golpistas, por que essa ânsia de danificar a incipiente democracia brasileira?

A maior virtude da nossa democracia é a eleição direta pelo voto popular. Se isso não vale mais, o que resta? Será que valem uma missa, os nossos prolíferos e caóticos partidos políticos e seus militantes? A nossa miséria política que se nutre do atraso socioeconômico? Os poderes executivo, legislativo e judiciário alheios aos interesses sociais e bem-estar da população? O povo nas ruas diz que não!

Os líderes dos partidos de oposição fingem não entender o clamor das ruas. Em vão tentam colher dividendos políticos. O foco central das manifestações é a presidente Dilma e o PT porque eles são governo. Mas a rejeição é generalizada, em relação à ineficiência e indigência moral e ética da classe política brasileira. O povo exige melhores condições de vida, o fim corrupção e reformas políticas radicais.

Com se vê, há uma agenda política relevante criada pela democracia direta das ruas. O xis do problema é a crise atual. A democracia representativa não tem proposta de solução, o que envolve as seguintes linhas estratégicas: a) retomada do crescimento econômico, b) reforma política que permita eleições em 2018 livres das forças do poder econômico e c) um sistema anticorrupção não apenas punitivo, mas, sobretudo, preventivo.

Chega de discussão estéril do tipo: “a presidente tem que pedir desculpas ao país”. É simplismo pensar que a crise decorre apenas de erros do governo Dilma. O fato é que chegamos ao fim de um ciclo econômico decenal. Foram-se as benesses do comércio exterior e do crescimento econômico baseado no consumo. Temos que criar um novo modelo com ênfase no investimento e na inserção competitiva mundial.

O novo ciclo de desenvolvimento começa com o ajuste fiscal, queda da inflação e recuperação econômica. Mas as condições necessárias e suficientes exigem mais eficiência do setor público, taxa básica real de juro de 2%, aumento sistêmico da produtividade e taxa de câmbio compatível com o equilíbrio do balanço de pagamentos. Construir esse devir, é a missão histórica mais importante da nossa sociedade. É hora, portanto, de união nacional, incluindo-se aí as oposições do atual governo.

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