Dentre as emoções humanas o ciúme é um dos sentimentos mais vivenciados durante a vida. Desde criança já nos manifestamos enciumados em relação a nossos pais ou aos brinquedos que gostamos. O ciúme pode ser considerado uma reação natural de apego a algo que se deseja preservar e não quer compartilha-lo com outros, ou a alguém que ama e exige exclusividade.
Alguns falam que o ciúme é o “tempero do amor”. É uma demonstração de zelo, cuidado, carinho, por quem vive uma relação afetiva. Porém, se manifestado de forma exagerada, passa a ser uma patologia. Shakespeare, há 400 anos atrás, num dos seus mais célebres romances, Otelo, já falava na “doença da suspeita” o sentimento de temor da perda na desconfiança de que o parceiro lhe está sendo infiel. Por isso se diz que a pessoa atacada pelo excesso de ciúme experimenta a “síndrome de Otelo”.
Sou dos que vêem o ciume como sintoma de insegurança, falta de confiança em si mesmo e na pessoa com quem está mantendo um relacionamento. As crises de ciúme, principalmente as que acontecem em razão de ameaças percebidas no campo da imaginação, sem evidências de realidade, machucam, entristecem, causam intranquilidade e desassossego. Provocam brigas freqüentes e estabelecem um clima de tensão que desgasta inclusive os sentimentos.
O ciumento obssessivo assume um comportamento de posse, como se amar alguém desse o direito de controlar o comportamento do outro. Esse tipo de ciúme cerceia liberdades, aprisiona, conduz a uma sensação de dependência doentia. Ninguem consegue ser feliz numa situação dessas. Termina sendo causa de ruptura no envolvimento sentimental.
Não é fácil conter os impulsos emocionais do ciúme. No entanto, é recomendável que procuremos equilibrar nosso estado de espírito, quando esse sentimento começa a dominar nosso coração. Para nosso próprio bem, é preciso que saibamos ser suficientemente racionais para não deixar que essa emoção se transforme numa paranóia.
• Integra a série de crônicas “SENTIMENTOS, EMOÇÕES E ATITUDES”.