A propina

 

O tema é bastante atual, mas a prática é muito antiga e está presente em todas as sociedades e em todos os tempos. A propina é o instrumento mais usado nos caminhos da corrupção. E o pior é que termina sendo um vício cultural. Sem percebermos, de vez em quando, estamos também nos valendo da oportunidade de conseguirmos vantagens e benefícios, na base da oferta da propina. É uma chaga social que se alastra e se coloca no comportamento das pessoas, no entendimento de que é a forma mais fácil de conquistar alguma coisa.

São em pequenas atitudes do nosso cotidiano que se verifica esse hábito de estarmos sempre querendo privilégios, fugindo às regras da moralidade e da ética, desde que nos beneficiemos. E achamos muito natural oferecermos dinheiro a um guarda de trânsito quando cometemos uma infração. Adquirirmos uma preferência de atendimento ao custo de doação financeira. Fazermos do suborno o aliciamento mais convincente para obtermos algo em proveito próprio.

Fora esses pecadilhos do nosso dia a dia, somos impactados pelos escândalos da corrupção política. Fazem explodir o nosso sentimento de indignação, embora esquecendo que, muitas vezes, nos falta autoridade para criticar os que fazem da propina seu meio de vida. As instituições da sociedade civil organizada, sejam do poder público ou da iniciativa privada, funcionam, lamentavelmente, na base da mania indecorosa da propina.

Receber ou oferecer propina é uma atitude ilícita que realça as características de desonestidade que as facilidades de procedimentos nos oferecem. Ambos são protagonistas, em nível de igualdade na responsabilidade pelo ato criminoso executado.

Vale, então, aproveitarmos a evidência do assunto, para analisarmos nossas próprias atitudes, e banirmos, de uma vez por todas, qualquer conduta que nos leve a conseguir benefícios ao preço de valores oferecidos como propina. Dessa forma ficaremos mais capacitados para cobrarmos dos outros a decência e a probidade que devem presidir o comportamento das pessoas, seja em que nível de posição social estejam inseridas. Aí sim ergueremos a bandeira de luta contra a impunidade dos corruptos com toda a força da nossa revolta.

• Integra a série de crônicas “SENTIMENTOS, EMOÇÕES E ATITUDES”.

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