O segredo

 

Todos nós temos nossos segredos. Não é verdadeira a afirmação “minha vida é um livro aberto”. Isso não existe! Há sempre algo, que não se pode dar conhecimento público por vários motivos: estratégia, preservação da imagem, receio de ser mal compreendido, vergonha, etc. Principalmente quando sabemos as consequências da revelação do que se mantém em sigilo.

Por isso, precisamos saber selecionar aqueles a quem elegemos como depositários de nossa confiança. Para compartilhar um segredo é recomendável aprofundar-se no relacionamento, a ponto de ter a certeza de que não se decepcionará no futuro. O ato de confidenciar informações particulares é, verdadeiramente, uma grande prova de crédito à pessoa a quem escolheu para fazê-lo.

Nos desabafos contamos segredos sem a preocupação de saber a quem estamos abrindo nossa vida. Quando percebemos a imprevidência já é tarde, ficamos expostos a maledicências, incompreensões e censuras. Nossa imagem pode ser arranhada por uma precipitação na oferta de informações que necessariamente deveriam ter sido mantidas no desconhecimento.

Mais importante do que guardar nossos próprios segredos, é respeitar o dos outros. Ter autocontrole quando sente a “língua coçando” para divulgar uma informação que lhe foi confiada em sigilo. Quem assim não se comporta, demonstra, antes de tudo, uma fraqueza de caráter. Quebrar o vínculo de confiança é traição, é ser pérfido.

Há situações em que o guardar segredo é exigência do exercício de trabalho, como os médicos, psicólogos, advogados, religiosos, etc. Está no código de ética do ofício desses profissionais. A inobservância dessa norma abala o conceito que se faz necessário para o bom desempenho de suas atividades.

Não podemos deixar de considerar que ao revelarmos um segredo a alguém, nos tornamos escravos dela. Daí, se dizer que “fulano tem sicrano na palma da mão”, porque detém informações confidenciais que podem comprometer conceitos de honorabilidade, integridade e respeito. Nada pior do que ser refém de um segredo revelado em confiança.

• Integra a série de crônicas “SENTIMENTOS, EMOÇÕES E ATITUDES”.

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