Tenho muito medo da força do ideário fundamentalista na prática política. Os que seguem essa orientação doutrinária se firmam na defesa de seus dogmas como verdades absolutas, sem admissão do diálogo na sua discussão. Quando o fanatismo domina o pensamento político, inevitavelmente se potencializam os conceitos conservadores e sectários, desconectados do respeito às liberdades civis.
No momento em que vivemos um processo eleitoral é importante ficarmos atentos ao discurso de determinados agentes políticos que pleiteiam o exercício de mandatos eletivos. Nada contra a participação de religiosos na esfera política. Antes pelo contrário, acho que a representação diversificada do povo nas instituições democráticas, deve ser uma premissa a ser respeitada e defendida. O que não é saudável para a ação política é a crença irracional e exagerada de fundamentos religiosos, em detrimento dos princípios elementares das liberdades individuais.
Os políticos religiosos não devem abrir mão das suas convicções. Entretanto, devem procurar transformar seus argumentos em posições construídas na racionalidade, sem oferecer riscos à pacífica convivência social. A relação entre o campo religioso e o campo político deve ser harmônico, direcionada para objetivos comuns.
O fundamentalista, no seu radicalismo, oferece uma conotação assustadora na sua atuação política. Ele propõe uma sociedade que seja reflexo dos seus valores. Despreza os conceitos de diversidade, rejeita tudo o que não se coaduna com a sua forma de pensar. Procura coagir consciências no sentido de ajustarem-se ao seu dogmatismo rígido. Dispõe-se a fazer o que for necessário para defender o seu ponto de vista. Coloca-se como obstáculo para a efetivação de um debate livre e democrático, quando suas idéias são contestadas.
A conclusão deste texto traz um apelo para que, antes de sufragar o nome de algum candidato, faça uma análise do seu discurso, fuja dos fundamentalistas.