A comoção social

 

O ser humano ao se deparar com um acontecimento imprevisto de grande repercussão, tende a ser alcançado por um sentimento coletivo chamado comoção social. O indivíduo vive sensações impactantes provocadas pelo fato, mas também alimentadas por um contágio público. A solidariedade na dor nos induz a se incluir num contexto de pesar em que a grande maioria esteja envolvida.

Aí onde reside o perigo, perdemos o senso de orientação, e passamos a agir conforme os outros se manifestam. Sem percebermos, somos estimulados a raciocinar sob o efeito da forte emoção. Deixamos de pensar individualmente para acompanharmos o pensamento coletivo, mesmo que não admitamos isso.

A fragilidade que o sentimento de tristeza nos impõe, nos deixa vulneráveis a influências que, no fundo, estão afastadas da verdadeira motivação do nosso abatimento. Somos compelidos a pensar ou se comportar como os outros, ou, do contrário, nos sentiremos excluídos socialmente.

A consternação pessoal ora experimentada termina sendo instrumento de projetos que não têm absolutamente nada a ver com a razão que lhe deu causa. Tornamo-nos massa de manobra da inteligência dos marqueteiros. O ânimo coletivo despreza o individual. Perdemos a identidade para sermos utilizados nas empreitadas ocultas de pessoas as quais nunca tivemos a oportunidade de dialogar.

A comoção é uma expressão emotiva do nosso temperamento. Não podemos permitir que fiquemos dependentes dos efeitos coletivos inconscientes que nos levem a mudar de opinião ou alterar a visão crítica dos acontecimentos que interferem nas nossas vidas.
 

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