Benito di Paula é um dos melhores sambistas brasileiros. Em “Além de tudo”, lançado em 1974, ele narra o episódio de uma declaração de amor mal sucedida, um fora dado com educação pela mulher por quem estava apaixonado o “eu lírico”. Uma história de amor não correspondido.
“Você ficou sem jeito e encabulada/Ficou parada sem saber de nada/Quando eu falei que gosto de você”. Fala da expressão de surpresa da mulher por quem se apaixonou, quando ele manifestou seus sentimentos de amor por ela. Notou a situação de embaraço que causou. Percebeu nela um jeito de acanhamento, de certa forma vergonha por não poder compartilhar desse envolvimento amoroso.
“Você olhou pra mim e decididamente/Você falou tão delicadamente/Que eu não devia gostar de você”. Diante da surpreendente declaração, ela o encarou de uma maneira educada, mas firme, para comunicar-lhe que era perda de tempo gostar dela. Não havia reciprocidade nesse bem querer. Melhor que isso ficasse bem entendido de uma vez por todas, para que novos constrangimentos não acontecessem.
“Mas a vida é essa e apesar de tudo/Gosto de você e que se dane o mundo/Quem sabe se nessas voltas que essa vida dar/Você pode mudar de ideia e me procurar/vou esperar”. Não se dá por vencido no “fora” que levou. Independente da não aceitação por parte dela, nada mudou no seu coração. Mantém acesa a chama da esperança de que ao passar do tempo ela possa mudar de opinião e enfim vir à sua procura. Então avisa que vai estar à sua espera.
Eu vou ficar aqui/Até madrugada voltar/E trazer você pra mim/Vou ficar aqui”. Conclui sua mensagem reafirmando a permanência na disposição de ficar na expectativa de que um dia, talvez numa madrugada qualquer, o turno das manifestações de amor, a vida possa presenteá-lo com a chegada dela aos seus braços.
• Integra a série de crônicas “PENSANDO ATRAVÉS DA MÚSICA”.