“Descaminhos”

Essa música deu projeção artística à cantora Joana, em 1979. “Descaminhos” é uma composição dela própria em parceria com Sarah Benchimol. No final do ano passado Simone, ao lançar o álbum de comemoração dos seus quarenta anos de carreira, regravou a canção que passou a fazer parte da trilha sonora da novela global “Em família”.

“Me perdoa essa falta de tempo/Que por vezes chega a me desesperar/Esse meu desatino, nossos descaminhos/E a vontade louca de ficar”. A personagem feminina que canta a música tenta se desculpar à pessoa amada por não poder se entregar aos prazeres da vida em comum de forma permanente. Outras preocupações, outros afazeres, outros compromissos, outras circunstâncias, a fazem não encontrar o tempo necessário para usufruir plenamente esse envolvimento sentimental. Chega a ser algo meio maluco esse comportamento, e isso a leva a instante de desespero. São os desencontros provocados por caminhos diferentes. Quantas vezes se viu lamentando por ter que se ausentar, quando a vontade imensa era de continuar ao lado dele.

“Me perdoa essa falta de sono/Que por vezes chega a me desanimar/Queria te encontrar nesse meu abandono/E não ter que depois me desapegar”. Pede que ele compreenda quando perde o sono nessas reflexões em noites solitárias, mas que acendem o desejo de poder encontrá-lo. Uma sensação de desamparo que causa esvaecimento e, muitas vezes, desencoraja a continuidade da relação. Por outro lado, são nessas oportunidades que aumenta o desejo de encontrá-lo, mas sem que se visse obrigada a se separar por motivos alheios à sua vontade.

“Te queria sem pressa, sem medo/Na loucura de um dia qualquer/Te tragar no silêncio da noite/Nos teus braços me sentir mulher”. E manifesta toda a sua ansiedade em poder tê-lo em seus braços numa noite, sem olhar para o relógio, sem se sentir pressionada pelo tempo, sem o medo de que tudo se acabe com rapidez. Queria usufruir toda a sua capacidade sensual de mulher nesse encontro de amor, na intensa força da libido, na magia do êxtase sexual.

“Mas a falta de tempo é tamanha/E essa ausência de mim te devora/Me perdoe esse jeito cigano/De partir sempre antes da hora”. Lamenta então que nunca seja assim. Reconhece que ele se entristece com suas ausências. Ainda mais quando elas acontecem de repente, inesperadas, nas ocasiões em que os prazeres estão chegando ao clímax. Pede perdão por esse seu jeito errante, incerto, muito parecido com o comportamento cigano, instável, inconstante.

• Integra a série de crônicas “PENSANDO ATRAVÉS DA MÚSICA

 

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