A canção “Um novo tempo” de Ivan Lins, em parceria com Vítor Martins, é uma exortação à luta, uma mensagem de que devemos sempre estar dispostos a buscar mudanças para melhor em qualquer circunstância. Vale também como uma palavra de esperança no dia de amanhã, não obstante as dificuldades ocasionais.
“No novo tempo, apesar dos castigos/Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos/Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer”. A cada novo tempo ganhamos experiência também com os sofrimentos, as decepções, as contrariedades e as derrotas da vida. Mas isso nos faz crescer, ficarmos com a capacidade maior de perceber os perigos que nos ameaçam a cada dia. Ficamos mais vivos, mais preparados para que saiamos em nosso próprio socorro quando se fizer necessário. Sermos protetores de nós mesmos diante das dificuldades e dos embaraços.
“No novo tempo, apesar dos perigos/Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta/Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver”. A construção do futuro, embora enfrentando riscos, combatendo em situação de desigualdade com os poderosos, assustados com o que não vemos na escuridão do desconhecido, deve ser sempre a batalha pela sobrevivência.
“Pra que nossa esperança seja mais que a vingança/Seja sempre um caminho que se deixa de herança”. Os autores da música registram a importância de compreendermos que a esperança não pode ser alimentada pela vingança, que ela seja um legado a se transferir de geração para geração. Não há mundo feliz sem que esteja acesa a chama da esperança.
“No novo tempo, apesar dos castigos/De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga/Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer”. Em que pesem os castigos que a vida nos aplica, que em certos momentos nos deixam cansados e insatisfeitos com tantas injustiças que assistimos, não podemos, nem devemos, fugir da briga. Não podemos abrir mão da nossa capacidade de se esforçar para virmos em nosso próprio socorro, nas oportunidades em que estivermos correndo riscos.
“No novo tempo, apesar dos perigos/De todos pecados, de todos enganos, estamos marcados/Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver”. A nossa sobrevivência depende primeiramente de nós mesmos, ainda que estejamos sempre em perigo, cometendo erros, fazendo o que não devemos, nos aventurando em projetos audaciosos.
“No novo tempo, apesar dos castigos/Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas/Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer”. O “seguir em frente” na vida não pode ser realizado com medo. Se for preciso devemos ir às ruas, gritarmos alto nossas necessidades e desejos. Devemos ser protagonistas do bom combate, sem “algemas”, sem estarmos presos aos limites da submissão, da covardia, da sujeição. Só assim estaremos em condições de nos socorrer na hora necessária.
“No novo tempo, apesar dos perigos/A gente se encontra cantando na praça/fazendo pirraça”. E nada, nem ninguém, nos intimidará a ficar na praça num grito de liberdade, lutando pelo que é nosso. Reagiremos quando coagidos, faremos “pirraça” quando nos sentirmos aviltados nos nossos direitos.
• Integra a série de crônicas “PENSANDO ATRAVÉS DA MÚSICA”.