TUDO PELO SEGUNDO TURNO

A nova democracia brasileira avança com inovações, na busca de um moderno estado de direito. Há um virtuoso ambiente de liberdade individual e de expressão de ideias. A livre imprensa atua de forma plena e absoluta, inclusive com ações de cunho ideológico de notório viés político-partidário.

Nos últimos 29 anos, o Brasil teve dois presidentes eleitos e reeleitos. O primeiro foi FHC, na linha centro-direita, de 1995 a 2002, e depois Lula, na linha centro-esquerda, de 2003 a 2011. Ambos formaram governos de ampla coalizão de partidos. Mas os conglomerados da grande mídia brasileira nunca aceitaram o governo do presidente Lula com suas origens no Partido dos Trabalhadores.

Neste ano, o PT conclui o terceiro mandato consecutivo no governo do país. Além disso, a atual presidente da república tem fortes chances de reeleição, no primeiro turno. A grande mídia luta cotidianamente para que isso não aconteça. Ora, aceitar Lula duas vezes na Presidência não foi fácil, repetir a dosagem com Dilma Rousseff seria algo demais.

No ano de 2002, ao final do governo FHC, o Brasil estava profundamente quebrado: inflação anual de dois dígitos, altos níveis de desemprego, dívida e déficit públicos, reservas cambiais quase nulas e sem crédito no mercado internacional. Mesmo assim, a grande mídia nacional deu amplo apoio a um terceiro governo seguido do PSDB, com o candidato derrotado José Serra.

É fato histórico que os governos do PT retiraram o país dessa situação precária. A Lei de Responsabilidade foi o grande legado da era FHC. O Plano Real nem tanto. Até porque, em 2002, a inflação foi de 13%, com tendência crescente. A situação atual do Brasil é uma das melhores, no contexto mundial: dívida pública bruta de 59% do PIB, déficit nominal de 2,7% do PIB e inflação em torno de 5,5%. O desemprego é muito baixo, 5,3%, e as reservas cambiais são bastante confortáveis, US$380 bilhões.

A grande mídia não abre mão de um segundo turno na eleição presidencial deste ano. E haja distorção e apologia do caos da economia brasileira, se a inflação não for para o centro da meta. Desde 2006, o Brasil adota o sistema de meta anual de inflação, com piso de 2,5%, média de 4,5% e teto de 6,5%. O compromisso do governo é, portanto, com uma inflação definida num intervalo estatístico e não matematicamente no centro da meta. É inegável, porém, que inflação quanto menor melhor.

A alternância de poder é importante para a democracia. Para tanto, é fundamental que a oposição tenha uma convincente proposta de governo e, sobretudo, apoio popular. No Brasil de hoje, este não é caso. As sucessivas pesquisas revelam que a presidente Dilma seria eleita no primeiro turno. É razoável uma maior coerência democrática da mídia, até mesmo para não desperdiçar tanta energia publicitária em favor de candidaturas sem projetos nem votos.

Os exageros político-partidários da grande mídia não contribuem para a democracia do país. Até agora tentaram plantar, sem o êxito eleitoral pretendido, a ideia do fracasso econômico do Brasil. Daqui até outubro, haja esforço para a criação de CPIs no Congresso Nacional. Enfim, tudo pela CPI da Petrobras, essa sim tem objeto claro, assim como objetivo definido e, acima de tudo, genuinamente eleitoral.
 

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