{arquivo}O educador Paulo Freire, seguramente um dos mais consistentes revolucionários da Educação brasileira, costumava dizer que “é preciso diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, até que num dado momento a tua fala seja a tua prática”.
Este conceito cabe como uma luva para interpretar discurso e prática em torno do presidenciável Eduardo Campos, sem dúvidas alguma um gestor de resultados, mas que ao proferir análises conjunturais quando do lançamento da pré-candidatura de Marina Silva como Vice deixou-se ser tragado pelos conceitos de Paulo Freire.
De forma clara, bem posta e didaticamente audível, Eduardo condenou o nível de negociação do Governo Federal na atualidade ao estabelecer entendimentos com os partidos aliados à base de ocupação de espaços acertados pela lógica de que quem faz parte do Governo precisa participar efetivamente dele.
Eduardo Campos considera isso um retrocesso e repetiu que partido único nenhum será maior do que a vontade da sociedade.
Se for a fundo nesta questão, será preciso identificar qual Eduardo está em cena porque, o líder político do PSB e ex-governador de Pernambuco agiu e age com bases nas mesmas premissas de que combate em discurso.
Quem é de Pernambuco sabe que para garantir ampla maioria partidária com legendas de Direita, Centro e Esquerda, o que mais Eduardo fez foi negociar espaços em troca de alianças político-partidárias.
Também em Pernambuco não precisa buscar teses de Doutorado nem mestres em Ciência Política para identificar o competente presidente do PSB com “mãos de ferro” para quem não segue sua cartilha política.
Só mesmo os que se rendem ou se anulam, como se deu com o senador Jarbas Vasconcelos, podem aquilatar o valor da liberdade e do exercício democrático na relação de Poder com o neto de Miguel Arraes.
Na análise, não há qualquer demérito na postura e liderança de Eduardo, líder indiscutível, mas daqui em diante será preciso identificar qual o Personagem que se tratará – o que diz “faça o que digo, mas não faça o que faço” ou o que negou tudo do prato que comeu surgindo como professor da “Nova Política”.
Nova política? Qual? Só retórica não vale.
