{arquivo}O projeto Folia de Rua, prévia carnavalesca reinserindo João Pessoa no circuito de Momo, mostrou na sexta-feira de mormaço, antes da Quarta-feira de Fogo, a ousadia libertária do bloco Picolé de Manga ao apresentar ao público folião ninguém mais do que os Aviões Elétrico (versão carnavalesca do Aviões do Forró) na inauguração da Via Folia, em plena Epitácio Pessoa.
Para os conversadores temáticos, a opção se contradisse com a essência do projeto – visão que precisamos respeitar, mesmo estando provida de ranços e resistências por estarem desconectados com o que acontece em Olinda, Recife, Salvador – as principais bases do Carnaval de frevo e axé, há tempo sem o patrulhamento musical que, por exemplo, Chico César quis impor em nome da pureza (?) musical.
Se reparar direito, o histórico do Picolé sempre esteve permeando as novidades sem deixar de compor com a música tradicional a partir do frevo quando já levou Alceu Valença, por exemplo, para cantar no bloco, da mesma forma que Margarete Menezes e Daniela Mercury, rainha do axé.
Ora, se o bloco mantém as raízes fincadas no bairro Cordao Encarnado, se exercita a manutenção da fantasia e do frevo como escola para as novas gerações, claro que tem moral para romper com o patrulhamento muito próximo de minha geração em João Pessoa.
Fui ver de perto a saída do Picolé e fiquei impressionado com a multidão que fora à avenida com tamanho de gente grande como o Muriçocas do Miramar – tendo coro espontâneo de uma galera misturada, de periferia à classe média alta, envolvida no remelexo das canções de forró eletrônico dos Aviões.
Como conceito, o Picolé precisa se advertir para não deixar de inserir atrações vinculados ao Frevo e à música brasileira de uma forma geral – foi aí que senti falta de Renata Arruda, não sei porque afastada de uma festa que tem a sua cara, razão pela qual se faz fundamental superar os grilos e tê-la como atração das próximas saídas.
Em síntese, corajoso o Picolé se libertou de amarras se consolidando como bloco de tamanho máster 100 mil vezes maior do que o “Confete e Serpentina” – a magia cultural do Centro Histórico a aplaudir todos os demais blocos porque a festa precisa ser partilhada por todos.