“Jura secreta”

Os poetas conseguem expressar os sentimentos humanos de forma singular, e suas manifestações literárias ganham mais beleza quando colocadas em melodias conseguem tocar as emoções. A letra “Jura secreta” tem essa característica. Ela expõe o lamento, de alguém por não ter vivido como acha que deveria, os desejos que se revelaram depois das oportunidades passadas. Demonstra arrependimento por ter sido tímido, inibido, ou talvez, se curvado a repressões que o impediram de realizar vontades não evidenciadas no momento certo. Tem como compositores Suely Costa e Abel Silva e foi lançada em 1977.

“Só uma coisa me entristece/O beijo de amor que não roubei/A jura secreta que não fiz/A briga de amor que não causei”. O “eu lírico” só agora percebe o quanto deixou de fazer coisas que teriam lhe dado prazer. Deixou de experimentar instantes de puro enlevo num relacionamento que tinha tudo para ser pleno de felicidade. Essa observação provoca tristeza. Por que não ousou em roubar o beijo que tanto queria? Imagina o quanto foi inseguro quando não teve coragem de dizer tudo o que seu coração mandava falar. Quem sabe se tivesse promovido uma briga os dois teriam enfim chegado a se entenderem. As reconciliações são sempre cheias de intensas declarações de amor.

“Nada do que posso me alucina/Tanto o quanto o que não fiz/Nada que eu quero me suprime/Do que por não saber ainda não quis”. Percebe que tudo o que lhe é permitido fazer perdeu o encanto, porque ainda se queixa de não ter realizado o que ansiava quando o momento era o adequado. A omissão de ontem desestimula o querer de hoje. Sente-se desmotivado para iniciativas que não tentou outrora.

“Só uma palavra me devora/Aquela que meu coração não diz/Só o que me cega, o que me faz infeliz/É o brilho do olhar que não sofri”. A consciência, da falta de ação no passado, trava qualquer sintoma de um coração que teima em se calar. A razão desse comportamento onde se sente cego, sem conseguir identificar as belezas da vida, e, por isso, concorrendo para a sua infelicidade, é não ter tido a ventura de ser alcançado pelo brilho do olhar da pessoa a quem amou.

• Integra a série de crônicas “PENSANDO ATRAVÉS DA MÚSICA”.

 

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