A nossa conterrânea Elba Ramalho gravou “De Volta Pro Aconchego” em 1985. A música composta por Dominguinhos e Nando Cordel tem uma letra em que o “eu lírico” manifesta o prazer do reencontro com o seu amor. Na final do “The Voice Brasil” deste ano, na TV Globo, outra paraibana, Lucy Alves, deu uma interpretação magistral a essa canção.
“Estou de volta pro meu aconchego/Trazendo na mala bastante saudade”. Aconchego é o local onde se encontra amparo, proteção, sossego, conforto. É assim que o “eu lírico”, numa voz feminina, denomina a pessoa que ama. Nela se acha feliz, tranquila, serena. “Está de volta”, retomando o convívio que lhe dá tanto prazer e de que estava privada por algum tempo. Lógico que a ausência foi marcada por muita saudade, e é isso que traz “na mala”, na bagagem, na intimidade da sua alma.
“Querendo um sorriso sincero/Um abraço pra aliviar meu cansaço/E toda essa minha vontade”. Nesse regresso nada melhor do que ser recebida com a sinceridade de um sorriso de felicidade, um abraço onde se manifesta todo um “bem querer”. São gestos, atitudes, expressões, que abrandam espíritos, nos conduzem a um mundo de paz. E nesse retorno o desejo intenso de “matar a vontade”. Fazer tudo aquilo de que se absteve durante a separação.
“Que bom, poder estar contigo de novo/Roçando teu corpo e beijando você”. O apelo erótico da união de corpos que se querem. Roçar, acariciar, beijar, numa sofreguidão de realizar todas as vontades, ávida de amor. Não tem tempo a perder, é preciso recuperar essa força que alimenta a paixão.
“Pra mim tu és a estrela mais linda/Teus olhos me prendem, fascinam/A paz que eu gosto de ter”. A pessoa amada é “a estrela mais linda”, única, singular, mais brilhante. Vive a atração que produz um efeito de magia, de hipnose, nessa reaproximação. O olhar seduz e cativa, oferece a calma, a tranquilidade, que tanto adora nessa relação.
“É duro ficar sem você, vez em quando,/Parece que falta um pedaço de mim”. Fala da tristeza e da dor ao se distanciarem um do outro. Fica a sensação de estar incompleta, amputada de algum órgão do corpo. Não se sente inteira.
“Me alegro na hora de regressar/Parece que vou mergulhar na felicidade sem fim”. O retorno ao que ama, vem sempre acompanhado de sentimentos de ânimo, contentamento. É como se tomasse consciência de que aquela alegria nunca mais iria ter fim.
• Integra a série de crônicas “PENSANDO ATRAVÉS DA MÚSICA”.
• Nessa música a minha homenagem à verdadeira “voz do Brasil”, LUCY ALVES, que orgulhou a todos nós paraibanos com sua participação no The Voice