A dupla Roberto e Erasmo Carlos nessa música presta uma belíssima homenagem à figura do pai. Todos nós nos emocionamos ao ouvi-la, sejam aqueles que ainda têm a ventura de compartilhar da convivência com eles, sejam os que, como eu, reverenciam em memória uma pessoa tão importante em nossas vidas e na sua lembrança permanece sempre uma imensa saudade.
“Esses seus cabelos brancos, bonitos/Esse olhar cansado, profundo/Me dizendo coisas num grito/Me ensinando tanto no mundo”. O coração transborda de amor e carinho quando nos aproximamos do nosso pai, com respeito e admiração, contemplando a beleza dos cabelos brancos que indicam experiência de vida. O “olhar cansado, profundo” não revela abatimento ou tristeza, mas um sentimento de dever cumprido; a certeza de que valeram a pena todos os esforços e a dedicação para que nos tornássemos o que somos. Os gritos não são formas agressivas de tratar, mas o alerta para os perigos da vida, que tantas vezes ele nos fez perceber. Através dos seus ensinamentos, descobrimos o mundo com seus riscos e suas oportunidades.
“E esses passos lentos de agora/Caminhando sempre comigo/Já correram tanto na vida/Meu querido, meu velho, meu amigo”. A idade pode torná-lo fatigado, lento no andar, mas ele nunca deixará de ser nosso companheiro. Não há amigo mais leal, mais verdadeiro, mais preocupado com tudo o que possa estar relacionado com nossa vida.
“Sua vida cheia de histórias/E essas rugas marcadas pelo tempo/Lembranças de antigas vitórias/Ou lágrimas choradas ao vento”. Como é bom ouvir suas histórias, contadas por ele próprio ou por outras pessoas, o registro de suas conquistas, e também dos tropeços que enfrentou, mas que evidenciam o homem guerreiro de quem tanto nos orgulhamos.
“Sua voz macia me acalma/E me diz muito mais do que eu digo/Me calando fundo na alma/Meu querido, meu velho, meu amigo”. O conselho da hora certa dado de forma paciente, carinhosa, preocupada, mas cheio de sabedoria. Nosso espírito acolhe suas palavras como se fossem o bálsamo, o alívio, o conforto, que precisávamos nos momentos de dificuldades e incertezas.
“Seu passado vive presente/Nas experiências contidas/Nesse coração consciente/Da beleza das coisas da vida”. Em cada momento que a gente vive na atualidade, não há como deixar de associar algo do seu passado, porque ele será sempre o nosso exemplo de vida. “Na beleza das coisas da vida” enxergamos sua presença na lembrança das orientações que nos ofereceu.
“Seu sorriso franco me anima/Seu conselho certo me ensina/Beijo suas mãos e lhe digo/Meu querido, meu velho, meu amigo”. Como é encorajador visualizar seu sorriso de apoio e de alento. Nunca será demais manifestar o agradecimento do conselheiro que sempre foi. No beijo das suas mãos a reverência a quem merece todo o nosso tributo e consagração.
“Eu já lhe falei de tudo/Mas tudo isso é pouco/Diante do que sinto/Olhando seus cabelos tão bonitos”. As oportunidades de expressar esse amor nunca deverão ser desperdiçadas. É o mínimo que podemos fazer em retribuição a tudo o que ele nos fez. É um sentimento de ternura que inunda nosso coração ao “olhar para os seus cabelos tão bonitos”.
“Beijo suas mãos e digo/Meu querido, meu velho, meu amigo”. Na simbologia do beijo nas mãos a expressão mais autêntica do apreço, da estima, da gratidão, do reconhecimento, ao homem que, sem sombra de dúvida, é nosso maior amigo, em qualquer circunstância.
• Integra a série de crônicas “PENSANDO ATRAVÉS DA MÚSICA”.
• Dedico essa crônica à memória do meu pai, DEUSDEDIT DE VASCONCELOS LEITÃO.
F E L I Z N A T A L !!!