BRASÍLIA – A decisão do governador Ricardo Coutinho de procurar ter um relacionamento relaxado com a Imprensa, como aconteceu na manhã desta quinta-feira, sinaliza um gesto importante do chefe do Executivo estadual. Tomara! – dizem tantos, seja sempre assim.
Mais do que estratégia de Marketing, contudo, já que a intenção foi querer mostrar o conjunto de obras em João Pessoa, a postura de sua Excelência só estaria “realmente” na condição verdadeira, se ele não excluísse diversos profissionais e veículos de comunicação de seu novo jeito de ser.
Se ele exclui, ele sequer chega ao que fora no passado – quando precisava e estava em formação de sua imagem em nível estadual, portanto tratava muito bem a Imprensa, tanto que era o Xodó de toda a Midia.
Muito do que ele conquistou só se deu porque ele era “Outro”, porque ali, lá atrás, ele precisava e tinha a simpatia de graça de meio mundo, ou seja, não precisava de recursos do Governo para reproduzir simpatia, como acontece na atualidade, porquanto a maioria dos convidados compõem a lista de amigos pela relação gerada por estarem no Planejamento de Midia – leia-se abastecidos de dinheiro publico.
Mas, acreditando que ele de fato quer mudar, vamos dar tempo ao tempo para acompanhar seu relacionamento com a Classe Política, os representantes da Sociedade Organizada, os artistas, muita gente despedaçada de seu novo mundo, incluindo aí muitos profissionais e veículos de comunicação.
O QUE ESPERAR
O verdadeiro Ricardo precisa calçar a sandália da Humildade e reconhecer que mudou para pior seu relacionamento com muita gente que lhe foi fundamental e, em sendo assim, precisa se recompor com o passado no qual seu estilo de conquistas não se dava pela força da Vara e da Surra, mas de cumplicidade e com ouvidos abertos sendo abrigo do contraponto, que nunca mais o foi desde que assumiu o Poder no Estado.
Em síntese, como Marketing o governador joga correto, mas dai tudo isso significar mudança no seu comportamento pessoal vai uma distancia enorme, por isso se faz indispensável dar tempo ao tempo, porque o verdadeiro Ricardo está nas teses de Segmund Freud – e esse é falso, Deus nos livre dele.
Particularmente, ainda abro tempo para algum crédito, antes da opinião definitiva.
ESSÊNCIA DO EXERCITO
Durante toda a trajetória anterior até chegar ao ápice do Poder, Ricardo dispunha de um Exercito voluntário capaz de tudo, de matar ou morrer por um projeto que se dizia Coletivo, a utopia dos Girassóis espalhando cidadania e inclusão social.
Ao chegar ao Poder, Ricardo – como tantos exemplos da Historia, fez questão de se afastar e transformar em inimigos seus mais fieis aliados de construção intelectual, filosófica e lutas. Era muita gente que se distinguia porque pensava (e pensa ainda) em fazer Política por caminhos do respeito e autonomia do pensar.
Resultado: ele fez a escolha pelos fiéis (muitos gente boa), mas que precisaram se curvar às ordens do Rei perdendo identidade em face das dependências da sobrevivência financeira dessa gente, somando-se nesse agrupamento os chamados Mercenários.
Trocando em miúdos, o Exercito de Ricardo diminuiu muito, excessivamente, restando os bajuladores e mercenários – estes últimos mudando de lado ao sabor dos ventos que apontem naufrágios à frente.
Tudo isto o governador experimentará muito em breve porque não está distante o tempo da verdade mais dura que ele precisará enfrentar para compreender que a esperança não combina com surra, como forma de tratar bem as pessoas.
A Paraíba quis e quer altivez, posição firme, projeto para avançar, mas numa outra forma de ilusão, nunca do pesadelo.