“Tocando em frente”

Dois compositores caipiras, Almir Sater e Renato Teixeira, são os autores dessa belíssima música lançada em 1991. “Seguindo em frente” fala de um conceito de vida em que ela deva ser vivida na paz e na alegria. Simplesmente porque cabe a cada um de nós a responsabilidade de construir a própria história, mas sem pressa, sem ansiedades. Compara a vida a uma marcha que deve ser tocada em frente.

“Ando devagar/porque já tive pressa/e levo esse sorriso/porque já chorei demais”. Os autores defendem a tese de que a vida deve ser entendida como uma passagem de felicidade nesse plano terreno. Concluem que de nada adiantou terem pressa na busca de realizarem o que desejavam, uma vez que têm convicção que devagar também se vai ao longe. Não se cansam, nem se estressam. Os lamentos, de igual modo, não resolvem nada, melhor carregar permanentemente um sorriso nos lábios, sejam quais forem as circunstâncias. Assim a tristeza tem mais dificuldade de tomar conta dos nossos sentimentos.

“Hoje me sinto mais forte/ mais feliz, quem sabe/só levo a certeza de que muito pouco sei/ou nada sei”. O “andar devagar” e o “sorrir, em vez de chorar” tornam mais prazeroso o nosso viver e nos sentimos mais fortes para enfrentarmos tudo o que possam vir no dia-a-dia. Afinal de contas o cotidiano nos oferece um aprendizado, porque chegamos à conclusão de que, pouco ou nada sabemos.

“Conhecer as manhas e as manhãs/o sabor das massas e as maçãs”. Nesse aprender diário é preciso conhecer o que nos apresenta cada novo amanhecer e assim possamos aproveitar a jornada do dia da melhor forma possível. Identificar “as manhas” com os segredos, as armadilhas, os imprevistos, que podem nos levar a situações de indefinições e incertezas. Saber distinguir os sabores, os gostos das coisas, nas suas diferenças.

“É preciso amor pra poder pulsar/é preciso paz pra poder sorrir/é preciso a chuva para florir”. A palavra amor como chave do sentido de viver. Amando, nos motivamos a dar seguimento a tudo o que queremos fazer. Da mesma forma, há necessidade de paz para que a alegria seja permanente na nossa vida. “Florir” como expressão de resultados, de consequências dos nossos atos. “A chuva” simbolizando as nossas escolhas, as nossas tomadas de decisão. A consecução dos nossos objetivos depende do nosso agir.

“Penso que cumprir a vida seja simplesmente/ compreender a marcha e ir tocando em frente”. Para que complicar a vida? Basta que a entendamos como uma “marcha”, e qualquer marcha só avança se for tocada em frente. Vivermos intensamente um dia de cada vez, sem a preocupação exagerada de antecipar o amanhã.

“Como um velho boiadeiro levando a boiada/eu vou tocando os dias, pela estrada eu vou, estrada eu sou”. O condutor da boiada, por sua experiência no ofício, sabe dar caminho aos animais sob a sua responsabilidade. Por analogia, nosso modo de encarar a vida deve ser da mesma maneira, encontrar o rumo a seguir através das experiências vividas. Nossa vida é uma estrada, depende de nós torná-la mais fácil para ser atravessada, afastando os obstáculos intransponíveis e as dificuldades insanáveis.

“Cada um de nós compõe a sua história/cada ser em si/carrega o dom de ser capaz e ser feliz”. Os autores dão força à ideia da construção de nossa própria história. Apesar de muita gente não ter descoberto isso, carregamos, dentro de nós, o dom de proporcionar a nossa felicidade e a capacidade de melhor direcionarmos nossa vida.

• Integra a série de crônicas “PENSANDO ATRAVÉS DA MÚSICA”.

 

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