PARAÍBA SEM RETOQUES

Os dados socioeconômicos mais recentes do IBGE sobre o Brasil demonstram involução relativa da Paraíba. Entre os nove estados nordestinos, a sua economia passou da quarta maior para a quarta menor. O Mesmo ocorreu com a sua renda per capita. As suas taxas de analfabetismo e mortalidade infantil, a expectativa de anos de vida da população e o IDH estão entre os quatro mais adversos.


Essa realidade é preocupante e, sobretudo, intolerável. Com todo respeito, a Paraíba não quer assumir o lugar do Piauí. Temos, sim, competência para sair do atraso. Chega de pensar pequeno. A economia paraibana pode ser mais dinâmica e progressista. A qualidade de vida do nosso povo pode ser uma das melhores do Brasil.


O desencanto com o presente obriga os paraibanos a orientar suas esperanças para o futuro. Espera-se que o próximo Governo construa com a sociedade um projeto de desenvolvimento estadual. Não há mais tempo a perder com a governança do improviso, sem conteúdo técnico-científico operacional. Chega de discursos políticos retóricos e práticas que nos mantêm no subdesenvolvimento.


Há muitos anos, venho alertando sobre a grave situação de atraso do nosso Estado. No ano 1990, publiquei no jornal O Norte, em cinco Cadernos Especiais, o livro Paraíba: O Elo Fraco do Capitalismo Brasileiro. A realidade paraibana foi analisada profundamente, com ênfase nos seus setores produtivos e principais atividades econômicas. O objetivo foi oferecer à sociedade local, em ano de eleição para governador, uma ampla base de conhecimentos relevantes.

 No ano de 2010, como contribuição ao debate político e ao novo Governo a se iniciar em janeiro de 2011, publiquei no Jornal Contraponto, em quatro capítulos mensais, Um Projeto para a Paraíba. Em 2012 lancei uma obra de maior fôlego, o livro A Paraíba que Podemos Ser – Da Crítica a Ação Contra o Atraso. Esses documentos não foram escritos apenas para a posteridade. Na verdade eles são clara e objetivamente voltados ao entendimento das razões do atraso da Paraíba, na busca de solução.


É evidente que os paraibanos desaprovam essa situação de atraso. A economia da Paraíba não pode continuar desprovida de um moderno sistema produtivo. Em assim sendo, tenderá a ter um crescimento modesto e insustentável, por gravidade, em função do progresso econômico dos estados vizinhos (Pernambuco, Ceará e R.G. do Norte).


É preciso pensar grande, na busca dos caminhos do nosso desenvolvimento. O NEGO tem que sair da nossa bandeira para a vida, contra a inaceitável realidade socioeconômica atual. A negação do atraso significa construir uma nova história para a Paraíba. Isto, porém, é impossível, se não houver um NEGO essencial ao anacronismo de uma cultura política, que teima em não ter um projeto de desenvolvimento estadual.

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