{arquivo}O PMDB como maior partido do Estado e o PTB, sigla em ascensão contínua sob a batuta do ex-senador Wilson Santiago produzem desde cedo neste sábado reuniões distintas em Guarabira e Itaporanga, respectivamente, com sinais de vida política visando mexer com correligionários na perspectiva de consolidar candidaturas majoritárias em 2014. Mas o sábado é também dia de movimentação interna no PT – partido de importância no jogo sucessório mas sem estar dando as cartas no nível que poderia dar se estivesse mais unido e ousado.
Guardadas as proporções, o PTB e o PMDB buscam o mesmo foco, isto é, mostrar ao conjunto da sociedade e que querem ouvir os reclamos e a partir destes inserir nas plataformas de Plano de Governo futuro. Dos dois, em termos práticos, Wilson Santiago deve fechar o dia com mais novidade porque anunciará cinco adesões de lideranças municipais (prefeito e ex-prefeitos), algo que vale numa fase distante como esta.
Wilson é esperto (no bom sentido da palavra) e construiu seu próprio espaço para se fazer frente à mesa principal de negociação no próximo ano, sobretudo na indicação de nomes para os cargos majoritários, por isso ninguém subestime o Cigano, como dizem os seus amigos mais próximos, porque ele sabe o que está construindo para 2014.
Em Guarabira, o mais carismático candidato de Oposição ao Governo, no caso o ex-prefeito Veneziano Vital, se apresenta com disposição para o enfrentamento com o governador Ricardo Coutinho, embora viva uma fase especial, no mínimo estranha, de fazer pré-campanha sem dar a importância devida a cidade de João Pessoa, onde desfruta de poucos percentuais de preferência popular.
É como se ele estivesse tratando a Capital pela lente e cuidado apenas de alguns iluminados lideres locais, mas sem grude temático nem estratégia bem resolvida para conquistar os vários segmentos representativos da Capital, algo bem diferente do que ele pode adotar em Campina Grande, sua terra natal, onde está e vai enfrentar dissabores com a atual estrutura de Poder representada pelo prefeito Romero Rodrigues.
Mas, Veneziano tem talento – ninguém subestima, mas daí construir a musculatura necessária ao embate do próximo ano vai uma diferença enorme porque, por enquanto, “a vaca (a caravana) está indo para o brejo” – no bom sentido da expressão.
Por enquanto, Ricardo Coutinho anda incólume.
WILSON; ENFRAQUECIMENTO DO PMDB
A existência do projeto Wilson Santiago à frente do PTB significa na prática, já há alguns dias, a perda de musculatura do PMDB que contava com a esturtura e apoio de uma liderança expressiva a partir do Interior do Estado e agora querendo se ampliar nos grandes centros urbanos.
Não precisa ser cientista nem matemático para identificar que, se alguém tinha X + Y e perde uma dessas partes certamente ficou menor.
É o caso da conjuntura atual.
ENFIM, QUAL É A DO PT?
{arquivo}Embora atraia reação enfurecida da classe média mais ao centro-direita, o PT consolidou nos anos de existência um modelo de processo político interno como nenhuma outra legenda consegue fazer – ou seja, de debater exaustivamente os processos e dar ao simples e anônimo militante o direito de dialogar com o mais forte líder petista, algo não encontrado nas demais agremiações.
O preâmbulo serve para dizer que, na Paraiba, o PT já vive o processo interno de disputa do Diretorio Estadual (o famoso PED) desaguando nas eleições de 2014 quando, mais uma vez, a prioridade será a candidatura à reeleição de Dilma Rousseff, mesmo sem deixar de abrigar cenas distintas como se dá com a candidatura do deputado federal Luiz Couto à presidência tendo apoio declarado do governador RC – algo que mexe com a autonomia petista, uma vez que com a candidatura de Eduardo Campos, Ricardo vai defender seu candidato e assim deixa Luiz em sinuca de bico – vai ficar com quem, afinal?
Mas há um processo especial, a partir da candidatura à reeleição do presidente Rodrigo Soares, nome altamente respeitado no Diretorio Nacional e importante na construção da campanha e vitoria de Luciano Cartaxo, mas que ultimamente tem perdido forças e apoios fundamentais comprometendo sua reeleição.
No PT, internamente, as queixas são de que Rodrigo ambiciona muitos projetos ao mesmo tempo – ser Federal, presidente do Partido, secretário de governo, etc – e sem cuidar bem das relações com as tendências que lhe elegeram da vez passada e que neste processo vão estar com outras alternativas.
O fato é que o PT não tem sabido jogar o grande jogo da disputa maior na Paraiba, enquanto o principal líder do momento anda preocupado (e com razão) com o mandato na Prefeitura de João Pessoa porque, sem êxito neste projeto, tudo será comprometido – algo que ele insiste em não querer assim viver, ao contrário, que avançar.
Se é assim, só resta aguardar os próximos tempos.
ULTIMA
“Quem me levará sou eu/
Quem regressará sou eu…”