As eleições para governadores estaduais, período 2015-2018, serão no mês de outubro do próximo ano. Aqui, na Paraíba, as articulações e formação de arranjos políticos estão a pleno vapor, há mais de três meses. Essa antecipação exagerada da campanha eleitoral presta um grande desserviço ao desempenho do atual Governo do Estado, com quase a metade do mandato a concluir.
Seria ótimo, se essa luta pelo poder tivesse por base um ideário voltado para o desenvolvimento do Estado e o bem-estar do seu povo. Assim, não haveria (des)razão para as alianças espúrias, ditadas apenas pelo peso do suposto potencial de votos dos líderes. Infelizmente, é esse chamado capital eleitoral que tudo comanda, pouco importa se suas origens emanam de herança familiar ou da enganosa retórica neopopulista. Não por acaso, nesse contexto, há espaço para a prevalência de renitentes resquícios oligárquicos, sob o domínio de um reduzido grupo de pessoas.
Esse jeito paraibano de fazer política, como fim em si mesmo, é um atestado eloquente de um alentado e oneroso passivo histórico a vencer. Nesse processo, viceja um antigo círculo vicioso: a busca do poder pelo poder, que nasce da ação política pela política, que busca o poder pelo poder… Desse modo, há evidente risco de práticas políticas desprovidas de virtudes públicas e um tanto comprometidas com interesses individuais.
O debate político da Paraíba não pode mais deixar de contemplar os grandes problemas socioeconômicos locais. Não é mais admissível ver nos estados vizinhos (Pernambuco, Ceará e R.G.do Norte) o crescente progresso econômico que tanto nos falta. Ou será que “jogamos a toalha”? Nada disso! Somos um Estado economicamente viável, sim senhor! Temos que reagir, pensando grande, na busca de um patamar de desenvolvimento que assegure aos paraibanos elevados padrões de condições de vida.
De 2003 para cá, o Brasil acumulou muito progresso econômico. A Paraíba ficou um tanto à margem dessa prosperidade. Atualmente, estamos amargando os ônus da fraca integração paraibana a essa realidade nacional. O desconfortável nível de atraso socioeconômico estadual é notório. O Estado pode tornar-se um dos mais pobres da Federação, se nada de relevante for feito. A sociedade paraibana carece de um competente projeto de desenvolvimento, que deve ser o resultado mais expressivo do processo político-eleitoral.
É inaceitável que o espectro da pobreza e do atraso ronde sobre nós. Não faz sentido, também, apenas criticar, nem mesmo procurar culpados pela involução socioeconômica relativa do Estado. Temos que olhar para frente. A sociedade paraibana propõe às suas lideranças políticas que assumam o papel que lhes cabe, na concepção de um competente projeto de desenvolvimento para a Paraíba. Temos, sim, capacidade para tanto. Queremos ser parceiros ativos das boas perspectivas econômicas do Brasil e, sobretudo, do Nordeste.