Somos juizes na vida e sentenciamos com muita facilidade. Julgamentos precipitados muitas vezes. Punimos injustamente quase sempre. Condenamos irresponsavelmente com freqüência. E aí afloram os preconceitos, as discriminações, as exclusões, as restrições.
Este ditado popular reflete com muita força a nossa capacidade de julgar os outros. Na nossa visão crítica algumas pessoas são portadoras de desvios de conduta que parecem permanentes e por isso dizemos “pau que nasce torto, não tem jeito morre torto”. Algo como resignação com o errado. A consideração apressada do irreversível. Será verdadeiro? Claro que não. O ditado pretende definir aqueles que por escolha própria não se permitem mudar.
Até as árvores (o pau na construção da metáfora), se nascem tortas, podem ser adaptadas ao ambiente em que vivem, conforme seja o seu crescimento acompanhado de adequações ao espaço, a estética e a vontade de quem está cuidando delas. E no final deixam de ser árvores tortas e podem produzir excelentes frutos.
Assim é no comportamento humano. Existem pessoas que fogem dos padrões que estabelecemos como corretos e são definidas como impossíveis de serem endireitadas. Algumas realmente têm índole de difícil ação de mudança, outras que satisfeitas com a sua personalidade distorcida resistem a qualquer tentativa de alteração do seu modo de ser. Todavia, conhecemos muitos casos em que “o pau que nasceu torto, não morreu torto”. Tiveram a coragem de buscar a mudança. Porque somos resultado do ambiente em que vivemos e das circunstâncias da vida. O desenvolvimento de nossa personalidade depende não só de nós próprios, mas da convivência social, do histórico de nossa existência e, principalmente, da consciência de que podemos melhorar cada vez mais.
Concluindo, podemos compreender que o provérbio não traduz verdade absoluta. Nem deveria conceber isso, porque se assim fosse, desacreditaríamos na presença de Deus em nossas vidas, onde Ele estabelece os caminhos a serem percorridos, mesmo que estejamos “tortos” em algum momento.
*Integra c coletânea de textos que intitulei “REFLETINDO A SABEDORIA POPULAR (ditados e provérbios)”.