Acreditar que o Brasil vai continuar dando certo, não é questão de fé ou ufanismo provinciano. Basta analisá-lo, corretamente, no contexto econômico-financeiro e sociopolítico mundial, na história recente e perspectiva futura. Algo distinto ocorre com os países mais desenvolvidos, que enfrentam, desde 2008, uma longa fase de crise, recessão e desemprego. O pior é que, até agora, não se vislumbram os caminhos sustentáveis da recuperação.
Os problemas econômicos brasileiros são de outra natureza, e benignos! Primeiro porque a economia nacional está funcionando quase a pleno emprego (desemprego de apenas 5,5%) e com um salário mínimo dos mais elevados de sua história (U$$ 330/mês). O salário médio das classes trabalhadoras vem acumulando aumentos reais, há cerca de 8 anos. O problema, agora, é alcançar um maior crescimento econômico, com rigoroso controle da inflação, das finanças públicas e do balanço de pagamentos.
O Brasil enfrenta dificuldades que seriam comuns a qualquer outro país. É difícil fazer uma economia crescer a altas taxas, quando está próxima do pleno emprego. Nessa situação é, também, normal o surgimento de pressões inflacionárias. Há, sim, uma clara e justa vontade nacional de elevar a taxa de crescimento do PIB do país para 4,0% ao ano e reduzir a inflação de 6,0% para 4,0%.
A economia brasileira está evoluindo basicamente com suas próprias forças propulsoras. Não é um feito trivial, a elevação do incremento do seu PIB de 0,9% em 2012 para 3,0% em 2013. Essa aceleração é caso raro, entre as economias mais expressivas do mundo. Nesse biênio, a desaceleração do crescimento do PIB está sendo a regra: o da China de 7,8% para 7,0%, o da índia de 8,8% para 6,5%, o dos Estados Unidos de 2,5% para 2,4% e o dos países europeus da Zona do Euro -0,6% para -0,8%.
O Brasil desfruta de condições relativamente bem mais favoráveis, no atual contexto mundial de profunda crise. Isto não quer dizer que devemos esperar o futuro promissor acontecer, dormindo no decantado berço esplêndido. Nada disso! Os cuidados essenciais devem ser permanentes, com a inflação, com a responsabilidade fiscal, com o balanço de pagamentos e com a complementação e modernização da infraestrutura. É fundamental, sobretudo, haver uma política voltada à conquista de avanços qualitativos relevantes nas áreas de educação, ciência e tecnologia.
O Brasil não pode deixar de fazer esse seu dever de casa. Só assim poderá aproveitar a grande oportunidade histórica, que se lhe apresenta, de se tornar um dos países mais importantes do mundo. É preciso, também, que os sempre do contra rompam os seus grilhões culturais e mentais que teimam em nos apequenar. As forças vivas e lúcidas da nação sabem que o nosso futuro próspero será fruto de muito trabalho. Em se tratando de economia, não há milagre que vingue; mau agouro, também não!
