{arquivo}Há anos que acompanho a sabedoria ambulante do professor Ademir Alves de Melo – mais do que isso, Mestre mesmo, pós Doutor – no oficio de pensar o mundo e propor medidas para nossa sociedade, em particular da Paraiba. Sou dos que o acompanho desde os tempos idos da proposta reformadora de Antonio Mariz para o Estado da Paraiba capitaneada por ilustres pensadores como Ronal Queiroz, Mauro Nunes, Juarez Farias, Adalberto Barreto e o proprio Ademir. Conheço-o, portanto, de longos carnavais.
Nos últimos dias, contudo, seu foco tem se voltado à gestão da Reitora Margareth Diniz, de quem era assessor muito próximo até bem pouco tempo atrás mas, nos últimos dias, resolveu entregar o cargo que ocupava na atual administração universitária.
A crise, que o professor Ademir insiste em negar, está visível não só em seu texto, nos seus comentários ali ou alhures, embora tente preservar o que restou de seu relacionamento bem resolvido com a Reitora.
O fato concreto, sem possibilidade alguma de desmentido, é que Ademir está fora da equipe por conviver em crise permanente com o vice-reitor Eduardo Rabenhorst.
Mas, por comodidade e mais prático querer transferir responsabilidade alheia, ele resolveu de modo próprio atacar o portal WSCOM acusando-o de exploração e manipulação indevida dos fatos.
Não, não há manipulação alguma: a crise entre eles existe e vamos provar com a própria lavra do professor Ademir Alves de Melo.
Leiamos o que diz o próprio:
O PODER FASCINA E EMBRIAGA
Ademir Alves de Melo
Notícia publicada pelo portal WSCOM sobre meu pedido de exoneração da Assessoria Especial da Reitoria, em letras garrafais vistosas, intitulada “BRAÇO DIREITO DE MARGARETH DINIZ NA CAMPANHA PEDE EXONERAÇÃO DA REITORIA” é mais um dardo venenoso desse meio de comunicação na sequencia desarrazoada de tentativas de desqualificação, primeiro da candidata, e agora, da Reitora legitimamente eleita com esmagadora maioria de votos nas eleições mais sujas que a UFPB jamais conheceu em sua história de consultas democráticas.
Renunciei, sim, mas para criar um fato e ajudar a nossa dirigente a remover enormes dificuldades impostas pela desrazão, como segue:
Devo ressaltar, de antemão, que defendo como norma de conduta princípios e conceitos. Não tenho apego ao poder, nem obsessão por cargos, senão o de professor de Economia Política, conquistado por concurso público.
Mas a verdade tem que ser dita, até para definir responsabilidade por desencontros internos nos primeiros meses de reitorado. Há que desvendar esse véu de intrigas da mídia e dar a César o que é de César: o pomo da discórdia chama-se Eduardo Rabenhorst, vice-reitor. Vejamos porque:
Mal começou a gestão, o mencionado professor constrangeu a Reitora, exigindo para si a coordenação da estatuinte, oferecida, desde os primeiros dias de campanha, a quem ela julgava apto a conduzir esse processo. A parte obstada por essa iniciativa gulosa, compreensivamente, cedeu, para não favorecer a desarmonia entre titular e vice.
Eis aí o erro fatal, cometido de boa fé! Criou-se um precedente para novas investidas na conquista de mais espaços e saciamento do ego desvelado na sua integridade. Segundo ato: o referido docente posicionou-se contra uma das principais propostas de campanha, pedra angular da disputa, centrada na realização de auditoria físico-contábil, com a convocação do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, para apurar todas as supostas irregularidades denunciadas pela imprensa contra a gestão anterior.
O argumento apresentado para essa objeção foi tão fraco quanto o mais tênue sopro de um vento que não consegue apagar a chama de uma vela flamante: a presença cotidiana do MPF e da PF no recinto da Reitoria iria inviabilizar a gestão. Por si, esse argumento reanima a vontade de fazer a auditoria, pois indica que os trabalhos de investigação deverão ir fundo, tal a extensão das necessidades divisadas de antemão pelo medo incompreensível de quem deveria estar imbuído de coragem para apurar supostos delitos praticados. Terceiro ato: a mesma fonte da discórdia, já no comando da estatuinte, apresentou uma proposta ao CONSUNI de formação de comissão para elaboração dos estudos preliminares do projeto, sem a participação de representantes das três entidades das categorias acadêmicas. Postura elitista, discriminatória, contrária aos mais elementares princípios dos Direitos Humanos, que é o exercício da democracia plena na definição de assuntos que dizem respeito aos interesses coletivos. Tragou unânime derrota. Constrangeu a Reitora por seu reacionarismo tacanho. Quarto ato: EXIGIU da Reitora a nomeação do ex-presidente da Comissão Eleitoral – que tantos dissabores trouxe para a então candidata, infernizando a sua vida e a de seus fieis seguidores com medidas inéditas e descabidas, tudo com o propósito velado de prejudicar a eleição da mesma – para assumir um posto no comando universitário com gratificação no topo das prebendas.
A Reitora, de comum acordo com os seus auxiliares, propuseram ao mesmo, contrariada decerta por uma elementar questão de dignidade, que preserva com altruísmo, que o próprio sugerisse o nome de outro docente, até com o perfil acadêmico e profissional mais concorde para o posto requerido. Proposta conciliatória recusada. Paroxismo de um devaneio! Decepção e descontentamento generalizado entre os que cultivam a ética na política.
O convidado sequer esboçou reação contrária a inédito convite: o algoz, derrotado nas suas maquinações, vê-se com os pés no pedestal do poder para conviver com a sua vítima, contraída com essa convivência cruel como o pescoço ameaçado de degola diante da espada do carrasco radiante. Pena na consciência um fato a revelar: foi minha a iniciativa de indicar Rabenhorst (e convidá-lo em nome de Margareth Diniz) para ser candidato a vice-reitor.
Meu culpa, mea culpa, mea maxima culpa! Perdidas ilusões!
A segunda razão está relacionada com a presença de uma auxiliar, na titularidade da Pró-reitoria de Graduação, que, de repente passou a figurar nas páginas da imprensa ávida de escândalos, por denúncias pronunciadas pelo Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado por supostas irregularidades praticadas na Secretaria de Educação da PMJP. Outro golpe a transpassar o coração ferido da Reitora, como também de seus auxiliares que lutaram incansavelmente pelo saneamento administrativo.
Ressuma indignação na comunidade acadêmica. Mas nada, nada mesmo, nos leva a pensar e afirmar que procedem tais denúncias. Porém, o bom-senso recomenda que a acusada tenha a grandeza moral de afastar-se do cargo para poder responder a essas acusações e provar a sua inocência nos malfeitos imputados. Essas denúncias são comuns contra qualquer titular de pasta na gestão pública. Quase sempre, paga pelos erros dos outros. A Reitora, comedida e de boa índole que é, certamente aguarda a iniciativa dessa auxiliar, até para livrá-la de mais um tormento que a acomete em sua nobre missão de MUDAR PARA QUALIFICAR, atônita pelo repicar do “fogo amigo”. Mui amigo!
Por tudo isso, restou-me a oportuna e corajosa medida tomada. Quando está em jogo questões de princípios, não cabe vacilação nem contemporização com a iniquidade. Mantenho a firme convicção de que a gestão Margareth Diniz será bem sucedida, feitas as devidas correções de rumo e barrados os impulsos alucinantes de arremesso ao poder. A comunidade acadêmica deve apoiar a execução da CARTA PROGRAMA, que é legítima e consistente.
Que se depure de individualismo a administração. Apoiemos a Reitora na sua nobre missão!
A SÍNTESE DE TUDO
A crise é real e ponto final.
ÚLTIMA
“Cada um dá o que tem…”