Este ditado parte da presunção de que todo interlocutor deva ser bom entendedor. Esteja portanto apto a receber mensagens, mesmo que incompletas ou codificadas. Nem precisa um longo discurso ou muitas frases para que determinados recados sejam perfeitamente compreendidos.
Todavia, o espírito que prevalece no provérbio popular é de que há uma necessidade de que devamos sempre estar preparados para perceber o que algumas palavras, gestos ou atitudes, possam expressar. Encontrar numa só palavra a compreensão do que verdadeiramente alguém está querendo dizer. Identificar conteúdo na síntese.
As vezes nem conseguimos entender assim no momento e só depois de um longo tempo é que nos advertimos de que a mensagem nos foi enviada numa única palavra ou numa única manifestação, seja gestual ou de ação.
Existem pessoas que não gostam de se manifestar com muitas explicações ou muitas informações, preferem ser concisos, sintéticos. Se não estamos atentos para fazermos uma leitura inteligente dessa mensagem de “meias palavras”, perdemos a oportunidade de recebe-la no seu completo entendimento.
Há situações, também, em que o “recado” é dado de forma involuntária. O emissor é que não se apercebe de que exteriorizou seu pensamento numa só palavra, traído pelo inconsciente. O “bom entendedor” registrou a recepção da mensagem e fez dela a sua real interpretação.
A sabedoria popular nesse provérbio estimula sermos “bons entendedores”, mas também adverte de que nos arriscamos a falar algo sem querer através de uma só palavra. De um lado recomenda a precaução, de outro incentiva a atenção.
No mundo moderno em que a comunicação ganha outras dimensões, considerando o poder da internet, é cada vez mais importante estarmos preparados para percebermos os “recados” das entrelinhas ou das “meias palavras”. Do contrário estaremos fora do contexto. Nas redes sociais é comum a divulgação de mensagens curtas, muitas vezes, até enigmáticas, simbólicas, com linguagem nova, mas com uso de poucas palavras.
Portanto, nunca devemos esquecer que no mundo inteligente vale muito a sua capacidade de enxergar no que não está explícito, ler no que não está inteiramente bem escrito, entender o que não está detalhadamente informado.
* Integra a coletânea de textos que intitulei “REFLETINDO A SABEDORIA POPULAR (ditados e provérbios).