Os monstros ao nosso redor

 

Eu me recuso classificar como ser humano alguém que comete um crime com tamanha atrocidade como esse em que foi assassinada a menina Fernanda Hellen. Fico me perguntando o que passa pela cabeça de um indivíduo que pratica atos com tanta crueldade, principalmente quando a vítima é uma criança indefesa. É, no mínimo, um comportamento covarde. Alguns diriam: é um animal. Gravíssimo erro de qualificação. O escritor português José Saramago afirmava que os animais são selvagens mas não cruéis. A crueldade é manifestação própria do homem.

Somos cada vez mais impactados por notícias que nos deixam emocionalmente atingidos, questionando o que tem acontecido para que o mundo esteja se “bestializando”. Vivemos sob o domínio da violência e, consequentemente, do medo. Ao ver o rosto angelical de Fernandinha, estampado nas fotos expostas na mídia, enxergamos nele nossos filhos e netos. E nos assustamos. O perigo nos ronda. O que fazer? Estamos sendo prisioneiros de uma sensação generalizada de insegurança.

Meu sentimento de cristandade está sendo posto à prova quando me vejo inclinado a não querer perdoar quem foi responsável por essa barbárie. Quando imagino o terror vivido por aquela garota nas mãos do seu assassino nos instantes finais de sua vida, tenho dificuldade em dominar a revolta que domina meu coração. Deus me perdoe, mas não é fácil ter piedade por quem fez da brutalidade a ação de findar a existência de uma criança inocente. Como oferecer perdão a quem, além de matar a vizinha, provocou por três meses o sofrimento de uma família que vivia a cada dia a esperança de ter sua filha de volta ao convívio do lar?

Como não temos a competência para promovermos a justiça, esperamos que as penas da lei sejam aplicadas da forma mais severa, servindo de exemplo para que outros monstros não se sintam estimulados a fazerem o mesmo com nossos filhos. Sabemos que Jeferson é apenas mais um dos muitos que circulam nas ruas, em ameaça permanente à nossa tranquilidade. As drogas produzem essas figuras que não são seres humanos, nem animais, são o “lixo” de uma sociedade que a cada dia assiste os conceitos de ética e moralidade serem maculados. É urgente a necessidade de que políticas públicas sejam adotadas no sentido de que se estanque o acelerado aumento da criminalidade no nosso ambiente de vida. Enquanto isso, nos resta pedir a Deus que tragédias vivenciadas pela família de Fernanda nunca nos atinjam.

Tenhamos, portanto, essa menina como símbolo de um movimento contra a violência. A sua morte, por todos nós chorada, sirva, pelo menos, de alerta para o enfrentamento desse crucial problema da sociedade contemporânea, o império do poder criminoso do mundo das drogas. Nossas orações em favor de sua alma, sejam também para que seus pais, familiares e amigos tenham o conforto que lhes permitam superar esse doloroso momento a que estão sendo submetidos. E que Deus nos ofereça a capacidade de afastar o desejo de vingança na força da emoção.

 

 

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