{arquivo}Os professores da Universidade Estadual da Paraiba (UEPB) tomaram uma decisão especial nesta terça-feira de paralisar as atividades por tempo indeterminado até que a Reitoria se manifeste com proposta concreta diante das reivindicações básicas, a partir da questão salarial. O problema me veio à mente também porque acompanho com atenção a grave crise que ronda as duas maiores universidades do Rio de Janeiro (Gama Filho e UniverCidade) me fazendo observar como andam as faculdades particulares de nosso Estado.
O fator principal do movimento paredista é o salarial. Aliás, categorias mobilizadas como dos professores acabam que focando a reivindicação em patamares impraticáveis na conjuntura – os 17,7% jamais serão concedidos ou aplicados porque a conta da despesa precisa bater com a da receita, e esta última é o que dá dó na realidade da instituição.
O quadro se agravou porque, primeiro a UEPB perdeu sua Autonomia conquistada no Governo Cássio, pois o atual governador Ricardo Coutinho represou o processo natural de repasse dos recursos da instituição, tanto que para pagar o 13º salário o reitor Rangel Júnior precisou reduzir gastos e quase fazer mágica por conta da realidade construída por RC.
Engraçado é que a estrutura reivindicatória parte de lideranças que, no processo de nomeação estavam contra a gestão da UEPB e, de alguma forma, a serviço da desconstrução das conquistas da ex-reitora Marlene Alves, portanto, também afetavam a ascensão do reitor nomeado.
Em síntese, o Reitor não pode oferecer nenhuma proposta sem que o governador Ricardo Coutinho, que resolveu acabar com a Autonomia, possa se manifestar sobre os recursos para fazer frente ao reajuste reivindicado pelos dignos e honrados professores.
Só que, entre intenção e realidade, ou o governador cede e negocia patamares exeqüíveis ou a greve se desenvolverá por muito tempo. Na conjuntura atual, o Reitor Rangel Junior sofre “o pão que o diabo amassou”, como se diz no popular, mesmo sendo gestor qualificado.
Como ex-candidato e líder político forjado nas lutas de categorias como a do Magistério, o governador tem a responsabilidade de construir uma saída decente para a realidade em foco, como da UEPB em si porque, do contrário, é rasgar tantos discursos que já enebriaram os professores e hoje nem tanto mais.
A CRISE DAS FACULDADES PRIVADAS
Chega a R$ 900 milhões o prejuízo que a crise atingindo as duas das maiores redes de ensino superior privado do Rio de Janeiro, a Gama Filho e a UniverCidade já se desenvolveu. O fato é que esta é a realidade de outros grupos de educação privada do Rio, a exemplo da Anglo, do ex-senador Ney Suassuna.
No caso das duas faculdades, o clima ganhou um novo capítulo nesta terça-feira com o depoimento de Alex Klyemann, presidente do Grupo Galileo Educacional, mantenedor das duas instituições, à CPI das Universidades Privadas.
A propósito, será que as nossas faculdades privadas vão bem financeiramente? Não serei pessimista se disser que algumas deve enfrentar problemas.
ÚLTIMA
“Como é difícil acordar calado/
Se na calada noite eu me dano…”
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