Não consigo compreender as críticas que algumas pessoas têm feito à iniciativa da Assembléia Legislativa da Paraíba em realizar uma caravana por municípios do brejo, curimataú, cariri e sertão, áreas mais atingidas pela seca que nos aflige há séculos e que neste ano acontece de forma muito mais dramática para a população do nosso interior. O objetivo é conhecer “in loco” os seus efeitos.
Como o próprio nome diz, a função do parlamentar é discutir, negociar, conferenciar, dialogar, ouvir. É isso que os deputados da Paraíba estão se propondo a fazer, sob a liderança do presidente Ricardo Marcelo. Não adiantam audiências públicas, nem discursos inflamados e demagógicos proferidos na tribuna daquela casa. A idéia é socializar o debate com prefeitos, vereadores, produtores rurais, criadores e a população de uma forma geral, e daí elaborar objetivamente uma pauta de prioridades a serem planejadas e executadas.
A Caravana da Seca pode ser considerada uma das mais felizes ações da atual legislatura, porque vai ao encontro do povo, deixa os gabinetes refrigerados para enfrentar o calor e presenciar o quadro de flagelo a que está submetido a nossa gente do interior paraibano.
Os que sempre adotam postura derrotista e destrutiva se apressam em querer desqualificar o propósito da caravana. Incapazes de fazerem algo de concreto na busca de soluções para esse grave problema se limitam a criticar e tentar atrapalhar o avanço dos que fizeram a opção da seriedade e da determinação em favor da causa.
Aos caravaneiros envio minha mensagem de confiança no trabalho que estão realizando. Dar ouvidos a esses eternos inconformados é querer compartilhar com o fracasso dos que fazem da ação politica um meio de vida, insensíveis à sorte dos menos favorecidos.
A caravana, como o próprio presidente da Assembléia coloca, não está causando nenhum ônus aos cofres daquela casa legislativa. Todas as despesas estão sendo custeadas pelos parlamentares, sem direito a diárias ou pagamentos das refeições e hospedagens. Isso já bastaria para que parabenizássemos a iniciativa. Mas consideremos, principalmente, os resultados concretos que advirão com os relatos ouvidos e a constatação pessoal da crise econômica e social que a seca vem impondo aos nossos conterrâneos do interior.
O título deste texto reproduz um provérbio português bastante conhecido, mas quero ainda colocar um sábio ditado árabe que diz: “não importa o latidos dos cães, não importa o barulho que fazem, a caravana segue seu caminho, apesar deles”.
Os incapazes não se conformam com o sucesso dos que tomam atitudes responsáveis e têm forte sentimento de solidariedade. Preferem apostar na mesmice, ainda que sabendo ineficazes suas ações.
