{arquivo}Quando domingo vier, parte da sociedade brasileira ainda convivendo como Segundo Turno das eleições municipais no Brasil estará consolidando mais uma fase de aferição popular sobre rumos e personagens responsáveis pelo futuro das cidades. Em João Pessoa, pela primeira vez na Historia acontecerá algo inexplicável para trajetória do governador Ricardo Coutinho: simplesmente ele estará ausente da votação.
O argumento de sua Excelência é de que precisará viajar no domingo para compromissos no BNDES na segunda-feira, visando assinar contratos com aquela instituição financeira. Por isso, vai justificar o voto.
Cá pra nós, como pode o homem publico forjado na luta democrática estar exatamente no dia de votação distante da sociedade que, ao contrario dele, está decidida a escolher a nova gestão da Prefeitura de João Pessoa ?
Qualquer iniciante em vida publica ou de viagens constantes para fora do estado, sobretudo via transporte aéreo, sabe que são inúmeros os vôos que saem da madrugada de domingo para a segunda-feira do Aeroporto Castro Pinto na direção de vários destinos, inclusive Rio de Janeiro.
Tem mais: de Recife, vizinho de nossa aldeia, aí é que as opções sao múltiplas, ou seja, o que não falta é vasta quantidade de vôos para a dia seguinte atendendo a necessidade do governador.
Alias, o Estado na gestão Ricardo Coutinho adquiriu um avião particular em condições de embarcar ate na próxima segunda-feira mesmo, podendo chegar a tempo dos compromissos no BNDES, no Rio, porque a função da aeronave do Governo é exatamente de suprir as necessidades eventuais e institucionais necessárias.
Traduzindo para o Bom Torrelandês, o argumento do governador é frágil demais e o deixa numa situação deveras desconfortável, nunca visto nas disputas da Paraíba.
Mas, coincidência ou não, tudo parece acontecer diante da falta de espirito democrático para encarar um cenário no qual sua candidata nao logrou êxito. Pior deve ser sentir-se rejeitado pelas partes, inclusive e especialmente da banda ideológica e política da qual nasceu, no caso o candidato do PT, Luciano Cartaxo. Mesmo assim, deveria votar como apregoou mas a ausência nao justifica.
Ora, em qualquer que fosse ou seja a circunstancia, um Lider de Estado não deveria dar mau exemplo ao conjunto da sociedade – esta mesma que o fez Governador, porque fere princípios democráticos e constrói a figura avessa de um personagem desacostumado com derrotas, fator este que também faz parte da Disputa, preferindo negar sua historia forjada na democracia.
Um dia, não agora, isso vai lhe ser um peso muito caro e cobrado pela inexplicável forma de nao saber respeitar os resultados eleitorais, ou seja a Democracia.

