A quem também tiro o Chapéu

{arquivo}Desde cedo, quando das brincadeiras inocentes no bairro da Torre, na Praça São Gonçalo, depois no Castelo Branco – outro bairro em que conduziu conosco o fim da maravilhosa juventude e o ingresso na maturidade, sempre vi meu mano Hilton (Duda) com ares de admiração.

Nasceu desenrolado. Duda sempre cultivou consigo a engenhosidade soberana dos comerciantes natos, gente do bem, diferentemente dos então rapazes, como eu, que vivia o drama (nem sei pra que) entre o Capital e o Trabalho, ainda passando pela Mais Valia, coisa e efeitos de um europeu, que contaminou a cabeça de um monte de adolescentes ávidos por mudanças.

Duda, mais novo, logo teve um Fusquinha. Velho, mas dava conta do recado. Mas, antes, nos tempos de liseu profundo na área, já morando na Rua Euripedes Gadelha, 268, no Castelo, o danado se sobressaia como poucos.

Inventou de montar um carro-de-mão com o resto de caixas de madeira de supermercados para pegar o frete da Parada central do Castelo II levando as feiras volumosas para os moradores do Castelo III – onde pontificaram muitos amigos queridos, como Josiberto, Crispim, Iran, Joás, Chuinha, Zé Orlando, Vando, Tarzan, Tico, grande Genival, Seu Euclides e os filhos de Gentil. Tem as meninas, mas só digo depois.

Um pouco mais de um mês, Duda já tinha três outros carros com rapazes trabalhando para ele.

Eu, lendo os livros dos intelecutais da época e dos comunistas do DAC incentivado pela turma do PC do B e do PT – ainda em formação, ficava feliz da vida com a capacidade do Mano mas, do meu lado, dizendo que iria construir outro caminho, laboroso, enfronhado nas Letras, mesmo tendo de ouvi-lo dizer pra nossa mãe, Maria Julia – “Manda esse menino trabalhar!”.

Por conta dele, tentei ser cobrador de ônibus, onde ele era craque – e fui um fracasso. Depois, fiz de tudo para ser vigilante, até me inscrevi na empresa Guararapes, mas era magro e nem podia com o revolver direito – daí fui reprovado.

Pior: topei ser ajudante de pedreiro, quando da construção do Castelo III – defronte à nossa casa, depois de chegar do Liceu Paraibano, mas minhas mãos de moça não agüentaram duas mexidas de pás de concreto, areia e cimento: estouraram todas. Disse a Ciço, o mestre de Obras, que ia dar uma mijadinha ali e voltava já, mas corri até minha mãe. Mostrei o estrago das mãos sangrando e, reprovado na vontade de ajudar como serviços gerais, acabei mesmo me enfronhando nas leituras até chegar no Jornalismo.

De lá para cá, tem muitas histórias com H, várias delas produzidas por Duda – um irmão espetacular, filho extraordinário, paizão e amigo de todas as horas. Sem contar que se transformou num empresário próspero no comércio com dignidade, hoje com a HCR e a FERGE (defronte ao Macro) me fazendo um irmão feliz demais, toda vez que passo na BR – 230 e lembro que ele sempre cultivou com honradez os ensinamentos de Maria Julia.

Duda, este irmão querido, nesta data mais do que aniversariando, serve de exemplo sobre como é possível crescer na vida de forma honrada, portanto cumpre a lição de cor, diante de um irmão, também dedicado, mas ainda sonhando sonhos para muitos, como no inicio do beababá do Jornalismo, depois na vida empresarial.

Mas, com Duda por perto, um dia será possível prosperar vastamente, também no mundo material, porque Deus sempre haverá de prover quem cedo madruga e age para o bem de muita gente. Está perto, eu sinto.

ÚLTIMA

“Eu já escuto os teus sinais…”

 

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