Dezembro/1968: A comemoração da vitória do Parlamento

 

O resultado da votação em plenário teve forte repercussão no país. Todos se perguntavam como reagiria o governo diante da derrota sofrida na Câmara Federal. Mesmo nessa apreensão o Brasil inteiro comemorava a vitória do parlamento.

O deputado Márcio Moreira Alves divulgou uma nota logo após proclamada a decisão.
“Quando a Lei e a Constituição têm uma vitória, não deixam politicamente vencidos e vencedores.  Acatar a justiça, defender as leis e a ordem, são  missões que engrandecem as Forças Armadas. Não haviam elas por mim sido injuriadas. São homenageadas hoje pela Câmara na confiança de que manifestou  suas tradições democráticas, ao livremente deliberar sobre uma licença, que sem suicidar-se, não poderia conceder. Recebo com humildade o resultado, consciente de que o acaso apenas me transformou num símbolo da liberdade de expressão na tribuna. Confio em que o resultado de hoje seja a semente da redemocratização no Brasil”.

Na edição do dia treze de dezembro, no jornal O Norte, Gonzaga Rodrigues em sua coluna, fazia o seguinte comentário:
“Não foi a sorte de Márcio, mas da Câmara.
Isto se viu pelas reações da cidade ante a notícia do arquivamento do processo. Ninguem perguntava:  Márcio ganhou?, mas sim: A Câmara negou?
A posição da Câmara, seu comportamento, sua reação, era isso que constituia dúvida, indagação, e até mesmo transe na consciência coletiva. Quando irrompeu a notícia, no ar havia como que  uma satisfação incrédula, dessas de quem passou no exame sem fazer boas provas. “Será que negou mesmo?” Daí se afirmar que o povo queria saber mais da Câmara, do que de Márcio, embora tenha sido o grande beneficiado, e os senhores Djalma Marinho e Daniel Krieger, as grandes aparições.
Até ontem, antes do resultado, ser deputado, com algumas exceções, era ter habilidade para transacionar votos e receber  um encargo como coisa adquirida. Hoje melhorou um pouco: ser deputado é alguma coisa a mais. No mínimo ter ímpeto de decisão, pelo menos uma vez na vida.
Interessante que as grandes vedetes do caso Márcio tenham sido do próprio partido do governo: Krieger, Djalma Marinho, e por último Brito Velho (ARENA-RS), que fez chegar a cada um dos deputados do seu partido, uma cédula ‘NÃO” e uma cópia mimeografada do discurso de renúncia de Djalma Marinho. Além de tudo isso, uma ccarta-circular em que recomendou a rejeição do pedido de licença, afirmando que “o ciclo das cassações deve encerrar-se”
Na Assemblía Legislativa na sessão matinal do dia treze, o deputado Miranda Freire declarou da tribuna:
“O problema não era a cassação do deputado Márcio Moreira Alves, mas sim do parlamento. A licença concedida seria um atestado de óbito para o Congresso nacional. Felizmente a Câmara compreendeu o belo exemplo do deputado Djalma Marinho”.

* esse texto fz parte da série COMO A PARAIBA VIVEU O ANO DE 1968
* comentários e informações adicionais devem ser encaminhados para o email: iurleitao@hotmail.com

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