Nos 427 anos de João Pessoa

{arquivo}Vendo as campanhas publicitárias do Governo do Estado de uns dias para cá tratando a capital paraibana de forma poética e de estética européia, fico a imaginar o que se passa na cabeça de cada um dos cidadãos desta cidade convivendo com sua rotina de lutas para sobreviver visando identificar se, de fato, o paraíso midiático é verdadeiro ou é mera figura de retórica e enganação.

Cheguei de Brasília impactado pela informação concedida em ato espetacular no Teatro Santa Roza de que João Pessoa passará a conviver com R$ 1 bilhão de investimentos capaz de resolver, enfim, as questões cruciais da cidade, graças à decisão do governador Ricardo Coutinho. Ele não é prefeito, mas age como se fosse o tal.

Neste último caso, me preocupei também porque se espremer direito tem coisa misturada ( Centro de Convenções, Litorânea, etc) e com base no passado recente com DNA dos senhores Cássio Cunha Lima e José Maranhão. Mais do que isso: vai terminar o ano que vem e certamente diversas dessas soluções não estarão postas em prática porque há demandas legais, condições processuais e de contingenciamento, etc, que não podem ser ignoradas.

Mas, antes de chegar à minha maior preocupação no dia do Aniversário desta cidade encantadora, chego da Capital Federal com a informação colhida por mim no Palácio do Planalto de que a Paraíba nos últimos tempos deixou de empregar mais de R$ 1 bilhão por falta de projetos. Vou repetir: o dinheiro existia, o Governo Federal informava e a grana não chegava por falta de projeto. Quanta incompetência!

Só que, como mencionei lá atrás, fiquei muito preocupado com o tom da fala do governador Ricardo Coutinho em entrevista na Capital empregando termos e formas de tratamento inadequados para uma autoridade do porte de um Chefe de Estado.

Luciano Agra e o que ele representam não podem estar enquadrados dentro de um prisma de impostor, como dito com todas as letras por Sua Excelência, só porque não seguiu mais a sua cartilha e os ditames absolutistas do Senhor Governador.

Além do mais, divergência precisa ser encarada com normalidade na política, mas quem tem papel de liderança como o governador precisa ser firme, mas adotando postura à altura do cargo que exerce.

Pior: ele parecia apoplético, incontrolável, ensandecido contra seus ex-aliados, que por muitos fatores, especialmente no campo político e das relações pessoais, se cansaram de ser tratados como marionetes, fantoches de um líder que tem medo de sombras. Invocando o Ministro Marco Aurélio, precisamos de urbanidade.

Para encerrar: quero acompanhar com atenção e ver como a Justiça Eleitoral vai se posicionar diante da decisão tomada do governador de fazer campanha na Capital como se nossos bairros e Centro passassem a ser uma “praça de guerra” desmedida, que não é, mas agora tratada assim por Ricardo Coutinho levando seus aliados à loucura porque ou o obedecem cegamente ou vão se ater com suas decisões peremptórias.

Este é o saldo diante de um fim-de-semana que chega como marco de Aniversário de uma cidade pacata, corajosa, mas povoada de retrocessos políticos por força de uma luta do Poder pelo Poder quando a sociedade exige apenas que os problemas sejam resolvidos já, se possível com civilidade entre nossos dirigentes porque nada vale a pena quando a alma é pequena, como disse o genial pensador.

Chegamos aos 427 anos precisando reaprender a viver as práticas de relacionamento mais consentâneas com os tempos de hoje, até porque não vale essa de gente nova insistir em atrasos antigos.

Merecemos mais do que circo e de pão. Precisamos de respeito à cidadania com cada um fazendo a sua parte sem transformar a batalha política em teatro de espetáculos deprimentes.

Nunca foi isso o que buscamos.

UM RETRATO QUE FALA MAIS QUE DISCURSO

{arquivo}Em pleno Aniversário da cidade, pude atestar o quanto o Governo do Estado anda desatento com nossa história, nosso patrimônio memorial. Pois bem quem quiser que vá agora na Praça da Independência, defronte do Colégio Pio X, e lá vai se deparar com o abandono das obras de implantação do primeiro Museu da cidade – obra de responsabilidade do Governo.

José Maranhão ao deixar o segundo governo operou as condições e recursos para a obra, incluindo até o Memorial Sivuca por trás deste Patrimônio, na sequencia Cássio avançou no projeto, ou seja, se mexeu mas não concluiu, Maranhão reassumiu retomando o projeto no Ministério da Cultura e também não executou integralmente.

Com a chegada de um governador natural da cidade, a impressão era de que, enfim, a Casa onde nasceu e morou João Pessoa seria entregue com o Memorial Sivuca mas eis que, na prática, tudo sucumbiu em termos de realidade operacional.

Meu Deus, por que os homens agem assim? Dizem uma coisa, fazem outra, e nosso patrimônio se esvai pedra por pedra? Isto é azar, descompromisso ou incompetência?

A cidade e a memória do ex-presidente não merecem este tratamento! Corrija-se.

SIVUCA, OUTRO INJUSTIÇADO

{arquivo}Acompanhei de perto os esforços do Ministro da Cultura, Juca Ferreira, para dotar os recursos necessários visando a construção do Memorial Sivuca na parte de trás da casa onde nasceu João Pessoa. O ex-secretário de Cultura, David Fernandes, chegou a concluir a maquete, projetos e tal.

Pois bem, o atual governo assumiu, a viúva e grande intelectual Glorinha Gadelha chegou a procurar o atual Secretario de Cultura, Chico César, diversas vezes – uma delas com direito a uma demora danada para recebê-la ao lado do presidente da Academia Paraibana de Letras, Juarez Farias, e dizer ao final que não tinha condições de efetivar o projeto.

Pior é que os recursos estão no Ministério da Cultura mas havia (como há) má vontade porque Sivuca tinha amizade por Maranhão, como outros governadores a exemplo de Cássio – responsavel pelo DVD do artista, por isso entrou no index do atual governo.

E isto não é democrático e republicano, nem jamais Sivuca mereceu esse tratamento exatamente de quem mais teve apoio da Cultura, o Exmo Sr Governador – isto na fase anterior, quando ele precisava de apoios.

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“Lá/ eu nasci me criei/ fiz canções/

 e amei/ sempre tive inspiração…”
 

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