Novembro/1968: “O Auto de Maria Mestra”

 

 

O ano de 1968 foi pródigo em manifestações culturais na Paraíba. O teatrólogo e folclorista Altimar Pimentel, um alagoano que se tornou paraibano por adoção, foi muitas vezes laureado com premiações na dramaturgia nacional.

No dia dezenove de novembro uma peça de sua autoria apresentou-se no Rio de Janeiro, participando do I Festival Brasileiro de Teatro Amador.
“O Auto de Maria Mestra” narra o nascimento de Jesus Cristo no Nordeste, filho da mestra da Lapinha. A peça de Altimar Pimentel, dirigida por Elpídio Navarro,  tinha música de Paulos Santos e cenário de Flávio Tavares. Do seu elenco, integrantes do Grupo de Artes Dramáticas do Teatro Santa Roza, participavam Alba Martins, Zélia Moura, Nieja Amaral, Maria Auxiliadora, Aumerinda Fernandes, Carlos Alberto Tavares, José Marcos Navarro, Walter Carvalho, Ligia Bezerra, Fátima Garcia, João Torres, Lauro Martins e Harcy Carvalho.

O apoio que recebeu da Prefeitura Municipal de João Pessoa mereceu o reconhecimento público de Altimar Pimentel que em declarações à imprensa assim se manifestou:
“O prefeito de João Pessoa, Damásio Franca, tornou possível a ida da representação paraibana através do Grupo de Artes Dramáticas do Teatro Santa Roza no mais importante festival de teatro do Brasil. Somos gratos ao prefeito, tanto pelo estímulo que tem dado ao teatro paraibano, como pelas condições que ora nos dá para enviarmos ao sul uma representação à altura da Paraiba”.

Pedro Santos, autor da música da peça, revelou que ficou impressionado com a reação positiva do público carioca. Segundo ele, “a crítica se dividia, como é lógico, pelo aspecto cultural e por outro pelo pitoresco do espetáculo. O Auto de Maria Mestra, mesmo sendo uma pretensão modesta de Altimar Pimentel, destacou-se de uma maneira tal que nos chegou a surpreender. A montagem é simples e não se apela para qualquer artifício de encenação. A música aparece no espetáculo como elemento dramático, pois há uma rememorização do ambiente poético da Lapinha, através de uma técnica quase impressionista”.

“O Auto de Maria Mestra” conquistou entre outros prêmios o de Melhor Autor, Melhor Cenário e Terceiro Espetáculo.

* esse texto faz parte da série COMO A PARAIBA VIVEU O ANO DE 1968
* comentários e informações adicionais devem ser encaminhados para o email: iurleitao@hotmail.com

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