O confronto à parte, além do emocional

{arquivo}O discurso proferido pelo governador Ricardo Coutinho na quinta-feira passada, quando da inauguração do comitê central da candidata Estelizabel Bezerra, à noite, na Avenida Epitácio Pessoa, traduz com todas as tintas e letras o furor e o ódio nutrido pelo líder do PSB na direção do prefeito de João Pessoa, Luciano Agra, o ex-Secretário de Comunicação, Nonato Bandeira, e de “carona” Luciano Cartaxo.

Enfurecido, apoplético, incontrolável, etc, são expressões que simbolizam o estado de espírito do Senhor Governador diante de personagens tratados como “suas crias desgarradas” – Agra e Nonato, embora não seja bem assim na proporção do que pensa porque os dois têm identidade própria, ele queira ou não.

Sejamos justos: o significado da gestão socialista na Prefeitura de João Pessoa tem como condutor principal a figura do ex-prefeito e hoje governador do Estado. Foi ele quem anunciou o pacote de medidas e as executou na primeira fase (primeiro mandato). Isto é consenso, é plausível.

Destarte (para usar a expressão dos juristas do bairro da Torre), Ricardo Coutinho foi durante esta fase passada o expositor das propostas, teses e promessas construídas por um conjunto de pessoas – e não só ele – interpretando anseios de um tal Coletivo – agrupamento que se reuniu em torno dele, mas ele próprio depois do Poder fez questão de implodir.

Dentre os nomes ilustres desse Coletivo, o ex-prefeito não pode negar, excluir nem ignorar que o êxito das primeiras ações passa por Luciano Agra e Nonato Bandeira, que foram Ases do jogo de carta marcada na elaboração das mais importantes ações estratégicas urbanísticas e de gestão como Secretário de Planejamento, da mesma forma que Nonato Bandeira, na condição de Maquiavélico (então maldito) para permitir que a Midia reproduzisse valores positivos do ex-chefe.

Sem o Planejamento que pegou de bandeja, sem as estratégicas de comunicação construídas certamente que o ex-prefeito não teria granjeado a fama que conquistou para fazer trampolim até o Palácio da Redenção.


Não temos duvidas em afirmar com todas as letras: o projeto RC na direção do Governo não teria chegado ao seu êxito, se não existissem as maquinações a seu favor do prefeito então assumido, Luciano Agra, permitindo as condições estruturais de campanha que ele não tinha.

Mas, como a ira se empossou do governador, ele ignora ou finge ignorar a importância de Agra e de Nonato – personagens que ele prefere ver o diabo ao se deparar com eles – e isto, como diria Maria Julia (minha mãe in memorian), chama-se ingratidão.

Vamos mais longe: ninguém atira pedras em árvores que não dão fruto. A reação indomada do governador atesta o reconhecimento da importância e do alto valor dos seus desafetos, agora embalados em outro projeto político para a cidade de João Pessoa até reconhecendo o valor de Ricardo no processo, embora já se saiba que o fruto do conjunto e do processo é de um Coletivo, que serviu enquanto quis, e nele pontificam nomes como Agra, Nonato, Roseane, Rossana Honorato, Bira,  Elisa, Doraci, Urquiza e de equipes inteiras como a do Íbis – time do jogo jogado sem maldades.

Em síntese, tudo o que agora acontece é fruto da visão absolutista do governador ao desaprender, faz tempo, ouvir o que seus ouvidos não queriam e partir para despedaçar um dos seus principais trunfos: a cumplicidade espontânea de um monte de gente boa jogada ao léu porque resolveu nunca mais dizer amém às ordens nem sempre democráticas. Queriam apenas ser ouvidas e não manobras!

Como diz o adágio popular, vai colher o que plantou de intolerância, desrespeito histórico e ingratidão, até porque na cidade de João Pessoa tem mais gente com inteligência para tocar grandes projetos, que não só ele.

Aliás, as urnas já já vão dizer o quanto fez mal a instalação do mau contra pessoas do bem.

CARGOS DE CONFIANÇA

Há um bla bla bla, um chororô danado em cima das mudanças produzidas pelo prefeito Agra, dias atrás, mas – paciência! – como é que se defende a permanência de desafetos nas relações de vida, sobretudo de quem tem compromisso publico de apresentar resultados coletivos.

Agra não poderia, tanto quanto o governador, se cercar de assessores considerados trairas do projeto que defendem.

Cargo de confiança já diz tudo. Perdeu a confiança, perdeu a convivência.

Isto é assim, nos EUA, na China, em Cuba ou no bairro da Torre.

Ciço

A quem interessar possa: prestem a atenção em Cicero Lucena.

ÚLTIMA

“Beijo por beijo não vale a pena dar/

morte por morte é uma loucura só…”

 

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