Novembro/1968: O fechamento da Rádio Arapuan

 

A  Tabajara exercia a liderança de audiência do rádio paraibano até 1968, quando sua direção decidiu acabar com os programas de auditório que foram responsáveis pelo lançamento no mercado nacional  de grandes nomes da música paraibana. Num ano em que o jornalismo ganhava destaque, a Rádio Arapuan, de propriedade do fazendeiro Renato Ribeiro,  ganhou a preferência  dos paraibanos, com uma programação dinâmica e versátil. Otinaldo Lourenço, seu diretor, ao lado do irmão José Otávio de Arruda Melo, fazia um rádio jornalismo vibrante e isento, com o programa Antena Política, que ia ao ar diáriamente as seis horas da noite, abrindo espaços para que o público paraibano ficasse bem informado do que acontecia no mundo, no Brasil e na Paraiba.

Claro que o governo  não via com bons olhos essa postura jornalística da rádio, principalmente quando o país vivia um período de muita tensão em razão da efervescência política provocada pelo movimento estudantil. Os comentários  críticos às ações repressoras eram consideradas como estímulo aos opositores do governo. No início de novembro, o DENTEL – Departamento Nacional de Telecomunicações decidiu fechar a emissora alegando irregularidades técnicas. Entretanto, todo mundo sabia que os verdadeiros motivos eram outros. Autoridades militares na Paraíba revelavam preocupação com a influência popular da rádio num momento de instabilidade política.

A retirada do ar da Rádio Arapuan teve forte repercussão em todas as camadas sociais. A direção da emissora recebeu várias manifestações de solidariedade de autoridades paraibanas, entre as quais, o arcebispo Dom José Maria Pires, os padres José Coutinho e Manoel Batista, os deputados Humberto Lucena, João batista Brandão, Clóvis Bezerra, Pedro Gondim, Francisco Souto, José Maranhão, entre outros.

O deputado Miranda Freire, em pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa, assim se manifestava a respeito:
“O fechamento da Arapuan tem sentido politico. Ela vinha incomodando a situação dominante pelos seus comentários honestos e independentes, mas, muitas  vezes causticantes para os que atualmente governam o nosso Estado. Para eles foi uma simples medida de rotina, para nós democratas foi um traicoeiro golpe na liberdade de imprensa.
Não se justifica que o motivo alegado, cujo processamento vem  se arrastando nos órgãos competentes, somente agora, nas vésperas de uma eleição, constitua-se razão bastante para o atentado que se cometeu”.

Depois de muita pressão  e da repercussão negativa causada, a rádio foi autorizada a funcionar oito dias após o seu fechamento. Todavia, sua reabertura ficava condicionada a uma rigorosa fiscalização de sua atuação jornalística, recebendo censura na sua programação no tocante ao noticiário politico.

* esse texto faz parte da série COMO A PARAIBA VIVEU O ANO DE 1968
* comentários e informações adicionais devem ser encaminhados para o email : iurleitao@hotmail.com

 

 

 

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