Requéim para Tota Arcela

  Para Martha (companheira), Ana e Alberto (irmãos) Aloísio, Juliana e Bárbara (filhos)

{arquivo}Quando FHC chamou a mais categórica atriz Fernanda Montenegro – ela ao lado de Bibi Ferreira, Tânia Carrero, etc, como expressões da linguagem teatral brasileira – para ser Ministra da Cultura e ela recusou, certamente que ela se fez honesta consigo e com sua missão de artista sobre o palco, pois nunca quis interferir neste mesmo palco com atos de negociação e política institucional.

Esta cena tão distante gestada entre São Paulo e Brasília é a referência que me chega para interpretar na ausência física de Tota Arcela, recentemente em passagem à condição superior , o significado de um dos mais preparados Mestres da Literatura do Brasil, da intelectualidade vasta como um todo, mesmo residindo por querer em João Pessoa, mas despojado do Poder brotado das Políticas de Governo e das vaidades, tal qual um dia esboçou Fernanda Montenegro, mas ele se constituindo em grande fomentador da produção literária universal como poucos.

A vida, em certos momentos, bem que invade o tempo da gente de forma injusta e perfila nas prioridades de comando coletivo nem sempre quem tem conhecimento profundo do que se propõe o Poder político, como era o caso de Tota Arcela, logo algumas escolhas forjadas pelo saber são trocadas pela cultura do favor de compadrio, nunca da meritocracia.

Tantos valores e carga cultural imensa traduzida em poucos parágrafos para dizer com todas as letras que o mundo de Poder exercido em nome do coletivo e da sociedade não se fez justo na relação com Tota Arcela, forjador das mais fortes manifestações literárias e libertárias da Paraiba nos anos 70/80, através de um projeto ainda hoje indispensável no nosso meio chamado OFICINA LITERÁRIA, que morreu consigo, mesmo precisando se ressuscitar.

Tota Arcela mais do que mestre, sempre foi um cultivador do saber literário, da inquietude intelectual nas outras manifestações culturais, à época sempre construindo em meio às inquietações produzidas pelo revolucionário Raimundo Nonato Batista , no tempo fechado e de conservadorismo, retroalimentando a vida com a semeadura e produção intelectuais ainda hoje não superadas em termos de inovação porque, ao contrário de se locupletar ou aparelhar o Poder, fez da oportunidade um instrumento de criatividade e resultados sociais impressionantes abrindo portas para mais gente.

Justiça seja feita, Iverson, Totonho, Eudes Hermano, uma geração imensa de cinqüentões de agora devem ao Mestre Tota Arcela a luz e luminosidade para se deparar, conviver e conhecer o mundo mágico da Literatura e das inovações culturais marcantes – sem o qual seriam menores, nunca saudosos do Mestre sobre a importância humana de um homem culto, bom e distinto.

Todos quanto puderem podem ainda reverenciar na Missa de Sétimo Dia, nesta sexta-feira, um adeus momentâneo antes do dia em que todos estarão sob o mesmo manto da saudade.

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“O nome/ a obra imortaliza…”
 

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