{arquivo}Os dois mais experientes atores da disputa municipal em João Pessoa, José Maranhão e Cicero Lucena, deste ano de 2012 conviveram – o senador ainda convive , com o drama de chegar à undécima hora com problemas para consolidar suas chapas.
O ex-governador e líder do PMDB precisou fazer de tudo, ou quase tudo, para demover o vereador Tavinho Santos da decisão de não aceitar mais ser o Vice, depois de ser preterido em nome de Gervásio Filho, que declinou porque este não é nem foi seu projeto político contemporâneo prioritário.
Maranhão poderia ter se poupado do desconforto de ir à convenção sem a presença do Vice. Mas, em que pesem os efeitos opinativos não agradáveis, eis que se vê resolvido nesta questão pois Tavinho recuou e topou assumir a missão.
No caso de Cicero, a situação é mais complicada porque ele lançou o médico Italo Kumamoto como vice mas este não poderá sê-lo porque o PSC, partido ao qual pertence, decidiu deliberar na Executiva Nacional para baixo que a aliança em João Pessoa será com o PT.
O presidente municipal, Rômulo Soares, até manobrou, fez convenção municipal às pressas, foi ao TRE, etc, mas sem nenhuma eficácia jurídica porque o PSN nacional homologou ata optando pelo PT, por Luciano Cartaxo. Aliás, nesta segunda-feira, o partido mostrará documento referendando esta condição pro-PT.
Nos dois casos, surge uma indagação aparentemente simples, mas não é: por que dois lideres com estradas e reconhecimentos têm enfrentado tanta resistência? Por que não aparecem mais interessados como dantes?
O senador Cicero, por exemplo, depois da crise do Vice de Maranhão teve um tempo enorme para atrair o PTB, PR, etc, mas não atraiu nenhum deles. Leve-se em conta que, com a decisão do PSC, ele vai precisar indicar outro nome para compor com ele a chapa.
É sinal de perigo, de exaustão silenciosa e que precisa ser resolvida.
Por que Gervásio Filho não aceitou?
Na reta final das convenções partidárias, o fato do deputado estadual Gervásio Filho ter recusado ser vice de Maranhão merece uma melhor e maior reflexão.
Como pode um jovem político, líder do PMDB na Assembléia, declinar de uma condição ascendente, se ela é “vendida” como de um candidato vencedor, líder das pesquisas?
A recusa seria a não convicção dessa premissa de vitória?
É preciso levar em conta este fato gerado Gervasinho.
A questão da Política e os rumos dos partidários
{arquivo}O texto, a seguir, de autoria do pós – moderno filósofo andino Damião Ramos Cavalcanti, bem explica o fim do relacionamento político entre o governador Ricardo Coutinho e o prefeito de João Pessoa, Luciano Agra. A simbologia e a essência da tese levantada nos fazem compreender a realidade agora explicitada. Leiamos conjuntamente:
“ Isso nos inspira que, no mundo político, criamos “grupos”, denominados de “partido” (pars, partis), que é uma minúscula parte de um todo, onde se agregam indivíduos com, mais ou menos, ideias semelhantes sobre como agir e conduzir as coisas da nossa sociedade ou da “polis”. Esses partidários, companheiros de partido, outrora chamados de correligionários, aderem a programas, a causas, a cujos objetivos traçam o caminho a atingi-los.
E filosofa mais ainda Damião
“ É como entrassem num ônibus para, juntos, conseguirem percorrer esse caminho. O que não deve acontecer é que esse ônibus só abra suas portas para os adeptos entrarem; caso sucedam descaminhos, decepções, maus-tratos, náuseas, desconfortos, incompreensões, e eles decidam sair do ônibus, as portas não se lhes abrem. Caso, saiam por alguma “emergência”, os ex-partidários, por não serem prisioneiros, não merecem ser chamados de “traidores” pelos passageiros, seus ex-aliados restantes. Enfim, decidiram não prosseguir a viagem, e onde estaria a liberdade de entrar e sair? Podemos até supor que todos, partidos e partidários, tenham idealmente um comum desejo: o bem comum da cidade. Porém, o conflito está na existência de diversos caminhos para se chegar a esse bem comum, daí a pluralidade de idéias, de ideologias, de políticas, e também de partidários e, por isso mesmo, de ônibus e de partidos”.
De fato, ele tem razão.
ÚLTIMA
“Há tantos devaneios tolos a me torturar…”