Nem sucesso nem fracasso. A Rio + 20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, foi um importante exercício da cidadania contemporânea. Ela contribuiu muito, como síntese da formação de uma consciência social que visa influir politicamente na solução de grandes problemas da humanidade. Trata-se de um processo de ações mediadoras, em clima de tensão virtuosa, entre as diversas formas mundiais de poder e a sociedade civil.
Em megaeventos internacionais, como esse, que propõe mudanças radicais na organização social, política e econômica da vida humana na Terra, os avanços sempre ficam aquém do desejável. Afinal, a razão de ser dessa conferência é a irracionalidade histórica do modo social de produção, sobretudo na sua versão globalizada das últimas cinco décadas. Nesse contexto, de curto a médio prazo, as possibilidades efetivas de solução não são de grande monta.
O atual mundo econômico e cultural globalizado não é obra do acaso nem foi feito de uma hora para outra. É fruto de um longo processo histórico assentado na divisão social do trabalho e na produção de mercadorias, com vistas à geração em escala crescente de excedentes econômicos, em relação ao atendimento das necessidades humanas atuais. Na sua versão capitalista, a fúria expansionista da produção e acumulação de riqueza como capital assumiu proporção inimaginável, com elevado teor de irracionalidade.
O desenvolvimento econômico capitalista mundial, desde o Século XVIII, nunca ponderou devidamente os seus custos sociais e dos impactos ambientais. Criou-se um estranho mundo inspirado no equívoco essencial de se medir a felicidade pela quantidade de bens e serviços consumidos. A apologia à realização dos instintos tornou-se inerente ao comportamento pessoal. A sociedade global floresceu radicalmente voltada para o dinheiro e a acumulação de capital, ao lado da indignidade social. Os resultados perversos acumulados no tempo se expressam dramaticamente no elevado grau de deterioração do meio ambiente e das condições de vida de bilhões de pessoas.
A Rio + 20 teve, portanto, como objeto de análise um mundo globalizado que enfrenta profundas crises: além da econômico-financeira, a ambiental, a da produção de alimentos e energia, a da desigualdade socioeconômica e a da governança mundial. A solução envolve objetivos, metas e linhas de ação de curto, médio e longo prazo. O novo modelo de desenvolvimento sustentável requer novos sistemas de relações sociais de produção e de poder baseado no Estado, no exercício da cidadania e nas empresas
Existem alternativas concretas, a curto prazo, coerentes com espírito da Rio + 20. Destacam-se aí, as soluções para os problemas que angustiam cotidianamente a humanidade: a poluição de rios, o uso predatório das águas e dos oceanos, a qualidade do ar que respiramos e dos nossos alimentos, a falta de energias alternativas renováveis, a pobreza absoluta, etc.
É bom saber que, para tudo isso, existem tecnologias economicamente viáveis, nas áreas dos novos materiais, química, nanotecnologia, biocombustíveis, recursos naturais, agricultura e meio ambiente, entre outras. Felizmente, diferente das necessárias ações ruidosas, eloquentes e retóricas dos movimentos sociais e políticos, a comunidade científica trabalha silenciosamente na construção dos meios essenciais para resolver a vasta gama de problemas que coletiva e socialmente criamos.