{arquivo}De uns dias para cá, o que não faltam são as especulações em torno do futuro político do prefeito de João Pessoa, Luciano Agra, sobretudo depois de sua decisão de se desfiliar do PSB. Neste momento de incertezas, duas questões andam muito claras: primeiro, a natural insatisfação do Partido Socialista – leia-se governador Ricardo Coutinho pela perda que interpretou como deslealdade; e, segundo, a convicção de que Agra ficará em torno de uma ambiência partidária próxima das legendas progressistas.
Sejamos francos: ele até tem condições de dialogar com o PMDB, isto é, José Maranhão como quer e trabalha aliado seu, a exemplo do empresário Leonardo Forte, mas a tendência será mesmo ficar no campo do que ainda se chama de Esquerda, ou seja, o PPS ou PT.
Do ponto-de-vista de aliança particular consolidada, dir-se-ia que o caminho natural de Agra será apoiar a candidatura de Nonato Bandeira, cujo futuro depende desta decisão do prefeito. Se contar com o apoio do rebelde Agra tem condições de se considerar na disputa, sem o qual está fora do jogo.
O pragmatismo, contudo, conduz o prefeito para o diálogo com a candidatura de Luciano Cartaxo, embora eles e o PT, não tenham ainda deflagrado uma conversa consistente nesta direção, mesmo havendo acenos petistas e até a admissibilidade de Nonato Bandeira de um Pacto entre eles, mas neste ultimo caso, envolvendo o PPS, percebe-se o interesse em que o partido de Roberto Freire fique com a Vice.
No campo próximo de Luciano Agra, esta é a realidade impondo nova pactuação que não se pretende parar em 2012 porque quando o próximo ano chegar o prefeito precisará ter apoios e aliados visando blindá-lo da perseguição dos adversários – e se possível do ex-amigo, este terrível na tarefa de perseguir.
Trocando em miúdos, Agra está construindo não só a cena de 2012 próxima mas uma concepção de vida político – partidária capaz de levá-lo a novos desafios mais na frente, entre eles viver em paz, algo que seus desafetos não vão querer deixar.
A desfiliação desvela nesse contexto os sentimentos de distanciamento, ingratidão e deslealdade para com o projeto político que lhe deu a condição de ocupar o principal cargo eletivo da cidade sem que para isso tivesse que ter um único voto.
A postura movida ao respeito
Ricardo Coutinho e o PSB reclamam de Agra mas fizeram de tudo para o prefeito agir como agiu. No processo, a vítima não são os algozes de Luciano, ao contrário, porque ele apenas resolveu manter respeito à sua história de solidariedade mas preservando sua identidade própria – o que o governador não queria.
O conteúdo da Nota do PSB
Como se previa, a executiva municipal do PSB se manifestou sobre a saida do prefeito Luciano Agra contextualizando a tese de que o PSB é maior do que o interesse pessoal, embora este aspecto seja contraditório porque o partido só vive e respira o interesse do governador Ricardo Coutinho.
Mesmo assim, leiamos o trecho que trata do interesse coletivo:
“A desfiliação não desanima o PSB na sua trajetória de transformar João Pessoa em uma cidade cada vez mais socialmente justa, habitável e sustentável. O PSB fez uma escolha democrática e participativa considerando a capacidade de liderança, compreensão sobre a cidade e a gestão e sobretudo, compreensão de como construir a Política.
O PSB é maior que o interesse pessoal de qualquer um de seus filiados, quando este tenta se sobrepor ao interesse coletivo. O PSB construiu uma historia de evolução dentro da cidade de João Pessoa. Historia de democracia participativa, inclusão social, desenvolvimento urbano e econômico e transparência na gestão pública.
Qualquer acidente de percurso, promovido por qualquer pessoa não põe em risco esse grande patrimônio político que o PSB conseguiu desenvolver na capital do Estado. Mais do que nunca, diante das fragilidades políticas de pessoas, temos a convicção de fazer esse projeto em execução em João Pessoa seguir adiante, não permitindo que o retrocesso se reinstale na nossa capital. João Pessoa-PB, 18 de junho de 2012.”
ÚLTIMA
“Como vai se explicar/ vendo o dia raiar/
sem lhe pedir licença…”
