A mídia que filtra e discrimina até o Horror

{arquivo}A Rede Globo reproduziu neste domingo de turbulência nas convenções para escolha dos candidatos às eleições nas Capitais, a partir de João Pessoa, onde foram sacramentadas as candidaturas de Luciano Cartaxo (PT) e Estelizabel Bezerra (PSB), uma ampla reportagem no programa “Fantástico” sobre a barbárie na qual a advogada Elize Matsunaga confessou o esquartejamento do marido, empresário Marcos Kitano Matsunaga, em São Paulo. Interessante é que no dia seguinte, uma mesma cena de Horror tomou conta de João Pessoa: duas jovens foram esquartejadas num dos bairros da periferia, mas a emissora se lixou para o fato.

É muita barbárie ao mesmo tempo, mas chama a atenção para o fato de como o filtro da mídia instalada em São Paulo / Rio de Janeiro não consegue dar tratamento igualitário a fatos registrados no Nordeste, mesmo que o nível da repercussão possa atrair mesma curiosidade pelo ineditismo.

No caso das jovens paraibanas, o terror foi maior ainda porque, segundo relatos, elas foram esquartejadas vivas. Em São Paulo, a esposa do empresário primeiro atirou na cabeça gerando óbito passando ainda mais de 8 horas para a cena trágica conhecida por todos.

A rigor, não estou oferecendo à reflexão o tamanho e dimensão de qual dos casos reproduziu mais horror, entretanto, questiono dentro de uma avaliação critica de conteúdo por que a cena nordestina não ocupa espaços – mesmo se a essência jornalística se imponha – na perspectiva de valor ( no caso muito trágico) mas de referencia de cobertura nacional.

Trato da questão porque não é só na disputa com o noticiário de baixo nível das concorrentes – geralmente na cobertura policial – que as grandes Redes e veículos nacionais tratam o Nordeste em seu conteúdo permanente.

Recentemente, numa das competições esportivas, tivemos uma jovem oriunda de Pernambuco conquistando medalha de ouro em competição mundial no Rio de Janeiro, mas na cobertura pontificou um atleta com a medalha de prata ofuscando o brilho da atleta pernambucana.

É este cenário de imposição de conteúdo, algo registrado desde os tempos primeiros do Império, que motiva a provocação para que o Nordeste possa ser emissor de sua opinião e de melhor cobertura sobre os fatos e conseqüências deixando, como acontece há tempos, a condição de mero receptor do que o Sudeste filtra e espalha pelo Brasil.

Quando haveremos de conquistar esse espaço básico no mercado da comunicação, certamente vamos demorar muito, mas já é tempo de despertar uma nova forma de tratamento do conteúdo editorial dos veículos sobre nossos nove estados, algo que a Revista NORDESTE faz, entretanto, as dificuldades da superestrutura não permitem ainda a visibilidade necessária e indispensável no tamanho devido, mesmo que aos poucos a publicação tenha conquistado referência nacional.

Só que é preciso muito mais veículos produzindo esta necessidade de emissão de informação com qualidade e sem a discriminação até hoje predominante.

Voltarei ao tema, porque a conjuntura exige um melhor tratamento ao Nordeste.
 

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