Educação Básica: Eis o Problema

O Brasil poderá ser, até o ano 2022, a quarta ou quinta maior economia do mundo. Estamos diante de uma oportunidade histórica ímpar. Essa prosperidade não acontecerá automaticamente, depende muito de um novo papel a ser desempenhado pelo Estado. A sua atuação na modernização da infraestrutura e outras condições básicas da produção é imprescindível. Mas a questão essencial a resolver diz respeito à conquista de um melhor padrão educacional e uma maior autonomia nacional no domínio da ciência e tecnologia moderna. Sem avanços nessas áreas é impossível aspirar ao desenvolvimento sustentável e a uma certa hegemonia econômica mundial.


A taxa de analfabetismo entre os brasileiros com 15 anos ou mais de idade é de 9%.  A taxa de atendimento dos jovens de 6 a 14 anos, no ensino fundamental, é de 90%. No ensino médio, essa taxa, para as pessoas de 15 a 17 anos, é de 40%. No ensino superior estão matriculados apenas 14% das pessoas com 18 a 24 anos. Esses resultados são pífios, até mesmo no contexto latino-americano.

Outros aspectos atestam a baixa eficiência e qualidade do nosso sistema educacional. No ensino fundamental, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) é igual a 4,6, para a 4ª série, e a 4,0 para a 8ª série. No ensino médio o IDEB nacional é igual a 3,6.  É lamentável saber que a grandeza desse índice qualitativo varia de zero a dez. A taxa de conclusão de curso no ensino fundamental é da ordem de 60% dos ingressantes e, no ensino médio de 42%.

Essa precária base educacional está limitando o ensino superior do país e o sistema nacional de ciência e tecnologia a ele integrado. O ensino médio do Brasil forma 1,8 milhão de estudantes por ano, para uma oferta 3,2 milhões de vagas para ingresso nos cursos de graduação. Há, atualmente, cerca de 20 mil vagas não ocupadas nas instituições públicas de ensino superior e mais de 1.300 mil, nas privadas. Está ficando cada vez mais difícil expandir o ensino universitário com a qualidade necessária à excelência acadêmica da pós-graduação e ao desenvolvimento científico-tecnológico.

A desatenção do Poder Público, em relação à importância estratégica e essencial da educação básica do país, de certa forma, subliminar ou passiva, é compartilhada pela sociedade. Não se vê, contra esse problema, o tão necessário clamor social e a mobilização da imprensa, com vistas à exaltação de uma vontade nacional de solução. Essa ação sócio-política virtuosa e objetiva vem sendo fortemente acionada contra a corrupção.

A sociedade precisa orientar melhor o uso das forças propulsoras do exercício contemporâneo da cidadania. Não se justifica a baixa prioridade dada à superação das insuficiências quantitativas e qualitativas da educação básica brasileira. Sem a solução dessa problemática, não há como elevar significativamente a qualidade do ensino superior e a capacidade nacional de geração de ciência e tecnologia. Resolvendo os seus problemas educacionais, o Brasil pode aumentar, no prazo de dez anos, o seu PIB de US$ 2,5 trilhões para US$ 4,5 trilhões. Com as atuais dimensão, eficiência e qualidade dos seus sistemas de educação, ciência e tecnologia, o país chegará ao ano 2022 com um PIB de, no máximo, US$ 3,5 trilhões. Não é difícil deduzir qual é a melhor opção para o nosso futuro.

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